EUA preparam nova proposta ao Irã para retomar diálogo nuclear

segundo 'New York Times', condições serão mais exigentes que acordo de troca de urânio de 2009

estadão.com.br

28 de outubro de 2010 | 15h17

WASHINGTON - Os EUA e seus aliados europeus estão preparando uma nova proposta para que o Irã aceite retomar as negociações sobre seu programa nuclear, informaram funcionários do governo ao jornal americano The New York Times. As condições, porém, disse a fonte, serão ainda mais exigentes que o acordo de troca de urânio rejeitado ano passado pelo supremo líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

 

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Segundo o governo, a reação iraniana à proposta será o primeiro teste para verificar se as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em junho estão surtindo efeito contra o programa nuclear da República Islâmica

 

A fonte disse que os EUA e os países europeus estão "muito perto de chegar a um acordo" sobre uma posição comum em relação ao Irã. Teerã, porém, ainda não respondeu à proposta da chefe de diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, que convocou uma nova reunião para novembro.

 

A nova oferta dos EUA exigirá que o Irã envie ao exterior 4.400 libras (aproximadamente 2 toneladas) de seu urânio pouco enriquecido, um aumento de mais de dois terços em relação ao acordo semelhante declinado por Teerã em outubro do ano passado. O aumento se deve ao fato de que o Irã continuou a enriquecer urânio ao longo do ano e, com isso, ampliou seu estoque do material.

 

O Irã também deverá interromper toda a produção de combustível nuclear ao nível de 20% e facilitar negociações futuras sobre seu programa de enriquecimento de urânio.

 

"Esse será um primeiro teste para ver se os iranianos ainda acham que conseguem resistir ou se estão prontos para negociar", disse uma fonte do governo sem se identificar, já que os termos do acordo ainda estão sendo negociados entre Washington e os governos europeus. "Temos de convencê-los de que as coisas ficarão piores se eles não começarem a se mexer", disse.

 

No mês passado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que seu país estava pronto para retomar as negociações, embora não tenha estipulado uma data. Khamenei, porém, não se mostrou disposto a assumir um compromisso em nome do seu país.

 

Os EUA e as outras potências suspeitam que o Irã mantenha o programa nuclear para produzir armas atômicas, o que Teerã nega. Segundo inspetores nucleares internacionais, o país islâmico já tem material para produzir dois dispositivos, mas fontes americanas dizem que ainda vai levar um ano até que a República Islâmica consiga produzir armas. "Isso é bastante tempo", disse a fonte, tempo o bastante para que os EUA ou Israel ajam militarmente contra o Irã.

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