EUA preparam permanência indefinida no Iraque, diz jornal

Acordo substitui atual mandato da ONU e não define data para saída ou restrições para a presença de tropas

Efe

08 de abril de 2008 | 05h40

Os Estados Unidos negociam com o governo iraquiano um projeto que estabelece as bases para a presença militar indefinida de militares americanos no Iraque, segundo afirmou a edição do jornal britânico The Guardian nesta terça-feira, 8. O acordo estratégico entre as duas administrações, que datam de 7 de março e é classificado como "secreto", deve substituir o atual mandato da ONU e autoriza os Estados Unidos a "prosseguir com operações militares no Iraque e deter a indivíduos quando necessário por motivos imperativos de segurança".   Essa permissão é classificada de "momentânea" e o acordo assinala que os Estados Unidos "não desejam bases permanentes ou uma presença militar permanente" no país árabe. No entanto, afirma o Guardian, que não se fixa um limite de tempo nem são impostas restrições a presença militar dos Estados Unidos e outras forças de coalizão, incluídas as britânicas, o plano deverá enfrentar provavelmente forte oposição tanto no Iraque como nos Estados Unidos.   Os críticos iraquianos do documento indicam que o acordo não impõe limites ao tamanho das forças norte-americanas, o tipo de armas que poderão utilizar, o status legal ou ao poder que terão sobre os cidadãos iraquianos, o que vai muito além de qualquer acordo de segurança firmado por Washington com outros países.   Segundo o diário, em contrapartida, uma forte oposição ao acordo deve ser montada no Parlamento depois dos choques armados em Basra entre as tropas do governo iraquiano e o Exército Mahdi de Muqtada al-Sadr, além das ameaças do governo de Bagdá de impedir partidários do clérigo radical de participar das eleições regionais deste outono. Segundo fonte sunita, o acordo em sua redação atual, mesmo que satisfaça o governo iraquiano, deve encontrar dificuldades no parlamento.   O plano também pode resultar polêmico em Washington, onde os congressistas democratas, incluindo o senador Edward Kennedy, têm argumentado que o plano vai mais longe que outros acordo desse tipo e equivale a um tratado, que segundo a Constituição dos Estados Unidos, deve ser ratificado pelo Senado.

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