EUA pressionam AL a condenar Fidel Castro

O governo dos Estados Unidos está pressionando os países latino-americanos a apresentar uma resolução que condene o regime político de Cuba durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU que ocorre em Genebra a partir da semana que vem.A sessão da Comissão de Direitos Humanos deste ano será a primeira na história das Nações Unidas que não contará com a participação dos Estados Unidos, que foram excluídos em uma votação em 2001. Diante da situação, Washington busca um porta-voz para defender seus interesses. Documentos obtidos pela Agência Estado mostram que a Casa Branca está tentando convencer os governos da América Latina da necessidade de realizar uma investigação sobre possíveis violações aos direitos humanos pelo governo de Fidel Castro.O documento, produzido pelo Departamento de Estado norte-americano, foi transmitido a vários governos da região, e a idéia é que um dos países do continente leve o tema para ser debatido pela ONU. Um dos primeiros alvos dos Estados Unidos foi a Argentina, que, com um governo debilitado e uma economia em colapso, poderia aceitar apresentar a resolução contra Cuba em troca de uma ajuda de Washington. Além disso, Buenos Aires havia votado a favor da condenação de Cuba no ano passado. Desta vez, porém, os argentinos se recusaram a levar a proposta à ONU. A Casa Branca chegou a tratar do tema inclusive com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer. O Itamaraty, porém, recusou a proposta.Mas a Casa Branca ainda não desistiu. A grande esperança é que a Guatemala aceite apresentar a proposta. No ano passado, o país votou ao lado dos Estados Unidos não apenas na questão de Cuba, mas também a favor de Israel. Os esforços de Washington em condenar Cuba não são uma novidade na ONU. Durante a Guerra Fria, a explicação era a ameaça que um país comunista na costa dos Estados Unidos poderia representar para os interesses norte-americanos. Com o fim da disputa entre Washington e Moscou, os motivos passaram a ser domésticos. Ainda neste ano, a Flórida, governada por Jeb Bush, irmão do presidente norte-americano, terá eleições. Mais de 1 milhão de cubanos vivem no Estado e, além de anticastristas, também são eleitores.

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