Thaer Ganaim/AP
Thaer Ganaim/AP

EUA pressionam 'Bibi' para manter suspensas as obras nos assentamentos

Enviado americano para o Oriente Médio insiste que moratória de construções é essencial para a evolução das negociações de paz

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

Os EUA pediram a Israel para que mantenha o congelamento nas construções em assentamentos na Cisjordânia - a suspensão deve terminar no dia 30. A declaração foi feita pelo enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, depois de encontro com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Sharm el-Sheikh, no Egito.

"Conforme o presidente (Barack) Obama disse recentemente, achamos que faz sentido prorrogar a moratória, especialmente agora que as negociações estão evoluindo", disse Mitchell. Apesar da pressão americana, Netanyahu indicou, no domingo, que autorizará a retomada de obras nos principais assentamentos da Cisjordânia.

Segundo o enviado americano, os EUA entendem as dificuldades de Netanyahu, que sofre pressão de integrantes de sua coalizão para suspender o congelamento e retomar as construções. O problema é que os palestinos ameaçam deixar as negociações se a moratória não for prorrogada. "Continuar com a expansão nos assentamentos destruirá as negociações", afirmou Saeb Erekat, negociador palestino, antes do encontro de ontem.

A reunião no Egito foi uma continuação do encontro realizado em Washington, há duas semanas, que relançou o processo de paz. Os dois lados concordaram em continuar negociando depois que Abbas e Netanyahu se reuniram ontem e disseram que a conversa foi positiva.

Mitchell anunciou ontem que, a partir de agora, haverá uma nova estratégia, com os EUA pedindo aos dois lados que mantenham os detalhes dos encontros em segredo. "Todos concordaram que, para as negociações obterem sucesso, precisam ser mantidas confidenciais por causa de sua sensibilidade. Os detalhes que eu e eles (israelenses e palestinos) poderemos divulgar serão limitados", afirmou Mitchell. O temor é que o vazamento de informações sensíveis sobre temas, como Jerusalém, assentamentos e refugiados palestinos, provoquem pressões domésticas ainda maiores.

As negociações prosseguem hoje em Jerusalém. A secretária de Estado, Hillary Clinton, que também foi ao Egito, se reunirá com Netanyahu e autoridades israelenses. Também está previsto um novo encontro entre o premiê israelense e o presidente palestino. Hillary irá amanhã para Ramallah para se reunir com Abbas e com o premiê Salam Fayyad. Os israelenses também exigem concessões dos palestinos, como reconhecer Israel como um Estado judaico e combater o incitamento à violência.

PARA ENTENDER

Anunciado em agosto pelos EUA, o novo "diálogo direto" entre israelenses e palestinos tem o ambicioso objetivo de solucionar, em até um ano, todas as questões principais que travam a chamada "solução de dois Estados": Jerusalém, fronteiras definitivas, divisão da água e o futuro dos refugiados palestinos.

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