EUA pressionam BP ante suspeita de novo vazamento no Golfo do México

Engenheiros detectaram 'anomalias' que poderiam indicar fuga de óleo no leito marítimo ao redor de poço selado.

BBC Brasil, BBC

19 de julho de 2010 | 05h21

O governo dos Estados Unidos solicitou com urgência à petroleira britânica BP um plano alternativo para seu poço danificado no Golfo do México, apontando "anomalias" que poderiam indicar a continuação de um vazamento no leito marítimo próximo a estrutura.

O funcionário do governo americano encarregado da limpeza do vazamento, o almirante Thad Allen, enviou uma carta à empresa expressando temores de que a colocação da tampa que conteve o derrame há quatro dias esteja causando uma infiltração no leito marítimo próximo do poço.

Cientistas crêem que a tampa colocada no poço possa estar desviando o fluxo do óleo para as rochas ao redor do poço danificado, o que poderia gerar outros vazamentos no longo prazo.

Engenheiros que vigiam o poço detectaram gás metano no leito marítimo perto da estrutura selada, o que poderia indicar que o vazamento de petróleo ainda persiste.

A suspeita é reforçada pelo fato de que a pressão dentro do poço danificado estaria mais baixa do que o esperado. A grande questão para os envolvidos na operação é se a tampa consegue suportar a pressão sem danificar ainda mais o poço.

Na carta à BP, Allen disse que o monitoramento do leito marítimo na área é "de suprema importância" e solicitou à empresa um plano de reabertura do poço caso se confirme o vazamento.

"Ordeno que me submetam um procedimento por escrito para a abertura da válvula de contenção o mais rápido possível sem danificar o poço, caso se confirme a infiltração de hidrocarbonetos", indicou.

A petroleira ainda não se pronunciou sobre a carta de Thad Allen, mas manifestou que seriam necessários três dias para começar o processo de reabertura da válvula de contenção, enquanto são realizados testes em sistemas para canalizar o óleo para a superfície.

Enquanto os testes não são concluídos, também estão suspensos os trabalhos em poços alternativos que permitiram fechar o poço danificado permanentemente.

Procedimentos

Na quinta-feira, a BP anunciou que o vazamento foi contido pela primeira vez nos três meses passados desde que a plataforma Deepwater Horizon explodiu, no dia 20 de abril, deixando 11 mortos e dando início ao pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

No sábado, o governo americano reiterou sua preferência por que, após os testes, a BP reabra a válvula e retome a canalização do petróleo para a superfície do mar, onde seria coletado por cargueiros até a conclusão dos novos poços. Os navios teriam capacidade de coletar 80 mil barris de petróleo por dia.

O executivo da BP encarregado de operações, Doug Suttles, afirmou que a petroleira pretende manter o dispositivo vedando o vazamento.

"Ninguém envolvido nesta grande atividade (de contenção do vazamento) quer ver mais petróleo fluindo no Golfo do México", disse.

Desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, a BP tentou várias estratégias para conter o vazamento de petróleo, localizado a uma profundidade de cerca de 1,5 mil metros.

Estimativas da BP apontam que os custos do desastre superarão US$ 3,5 bilhões.

A empresa já pagou mais de US$ 200 milhões em 32 mil pedidos de indenização. Outros 17 mil outros pedidos estão sendo avaliados. A companhia está ainda recolhendo informações sobre 61 mil pedidos adicionais.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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