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EUA pressionam governo da Nicarágua a encerrar violência e antecipar eleições

Vice-presidente americano afirmou que todo o mundo está assistindo à crise nicaraguense e declarou que a propaganda de Ortega 'não engana ninguém'

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2018 | 10h18

WASHINGTON - O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, condenou nesta quarta-feira, 25, a "violência patrocinada pelo Estado" na Nicarágua, depois de outras cinco pessoas morrerem - entre elas a brasileira Raynéia Gabrielle Lima - em meio ao caos no país caribenho e pediu que o presidente Daniel Ortega antecipe as eleições. 

"A violência patrocinada pelo Estado na Nicarágua é inegável. A propaganda de Ortega não engana ninguém e não muda nada. Mais de 350 mortos a mando do regime. Os EUA pedem ao governo de Ortega que ponha um fim à violência AGORA e realize eleições antecipadas: o mundo está assistindo!", escreveu Pence pelo Twitter.

Na postagem, o vice-presidente americano se referiu à entrevista concedida por Ortega ao canal Fox News e transmitida nos EUA na segunda-feira 23. No trecho mencionado por Pence, Ortega rejeita as acusações de que seu governo controla grupos paramilitares, que foram vistos agindo junto a forças policiais. Os comentários de Pence foram publicados horas depois da confirmação das mortes de cinco pessoas no país.

Em comunicado na terça-feira 24, transmitido pela rede Telesur, Ortega declarou que seu governo enfrenta uma "conspiração" instigada pelo Congresso dos EUA por meio da chamada "Lei Nica", que, em sua opinião, busca desestabilizar o país economicamente. 

O presidente negou a conexão de seu governo com grupos paramilitares e se declarou disposto a buscar novos acordos com empresários e a Igreja Católica, cujos líderes ele havia acusado de golpistas.

O cardeal Leopoldo Brenes disse que a igreja "não é inimiga" do governo e recomendou que Ortega dê ouvidos ao que o povo está pedindo. Além disso, o cardeal insistiu que os bispos estão dispostos a fazer todo o possível para continuar o diálogo. 

Brenes considerou que não há condições para retomar as conversas no momento, mas esforços para alcançá-las devem ser feitos porque "sem diálogo haverá mais mortos". Para ele, a retomada das conversas é o "único caminho para fazer desaparecer a violência".

Estudante brasileira

Raynéia, de 31 anos, foi baleada quando voltava para casa, de carro, no sudoeste de Manágua, disse o reitor da Universidade Americana (UAM), onde ela estudava, Ernesto Medina. 

Os eventos aconteceram no bairro residencial de Lomas de Montserrat, onde, segundo testemunhas, paramilitares atiraram contra o carro da estudante. Raynéia foi levada pelo namorado ao hospital, onde morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos.

A polícia local se desviou de uma possível responsabilidade e atribuiu a morte da jovem brasileira a um segurança particular. "Um guarda de segurança particular, em circunstâncias ainda não determinadas, realizou disparos com arma de fogo, um dos quais a atingiu, ocasionando ferimentos", disseram as forças policiais, em comunicado.

Na noite de segunda-feira, quatro pessoas morreram em Jinotega, 162 quilômetros ao norte de Manágua, em uma operação combinada entre forças policiais e paramilitares, informou o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh). As ações das forças pró-governo continuaram na terça-feira em Jinotega, deixando muitos feridos, disse o ativista da Cenidh, Juan Carlos Arce.

Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril contra uma reforma no sistema de seguridade social, mas resultaram em demandas por justiça e a saída do governo de Ortega e sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo. / AFP

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