EUA pressionam Iraque a combater rebeldes curdos para evitar ação turca

Em telefonema a Maliki, Bush obtém promessa de cooperação com a Turquia, que concentra tropas na fronteira

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

Washington - O governo americano pediu ontem que o Iraque atue rapidamente para pôr fim aos ataques de separatistas curdos contra a Turquia, a fim de evitar uma grande ofensiva turca contra os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em território iraquiano. "Queremos que o governo iraquiano lance uma ação rápida para acabar com a atividade do PKK", disse o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto. Reforçando a pressão, o presidente George W. Bush telefonou para o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, manifestando sua "profunda preocupação" com os ataques de rebeldes curdos, assinalou Fratto. O líder americano obteve de Maliki uma promessa de cooperação com a Turquia para impedir a escalada do conflito. Bush também ligou para o presidente turco, Abdullah Gul, a quem disse que continuará incentivando os iraquianos a combater o PKK.O PKK, por sua vez, propôs um cessar-fogo e a abertura de diálogo com o governo turco se os militares suspenderem os preparativos para uma ofensiva no Curdistão iraquiano. Ancara prometeu tentar uma saída diplomática, mas reforçou sua presença militar na fronteira, enquanto manifestantes protestaram nas principais cidades da Turquia, exigindo uma resposta dura aos rebeldes curdos - que mataram 12 soldados turcos no domingo."Estamos dispostos a manter uma trégua se o Exército turco deixar de atacar nossas posições, abandonar seus projetos de incursão e comprometer-se com a paz", disse um comunicado divulgado em um site do PKK. "Mas, se continuar com sua posição hostil, vamos defender nosso povo."O presidente iraquiano, Jalal Talabani, disse que prenderá os rebeldes do PKK instalados no Curdistão iraquiano. "Voltamos a pedir aos membros do PKK para que parem com a violência", afirmou. O chanceler turco, Ali Babacan, afirmou que o governo mantém a opção de usar a força. "Preferimos a solução diplomática, mas não descartamos a possibilidade de intervenção militar, caso seja necessária", disse Babacan, que deve encontrar-se hoje com Maliki em Bagdá. O premiê turco, Recep Erdogan, insistiu que a Turquia está pronta para a ofensiva, apesar dos pedidos de moderação dos EUA. "Não precisamos da permissão de ninguém para atacar", afirmou. Mas ele prometeu esgotar os canais diplomáticos antes de um ataque.A tensão vem crescendo por causa de recentes ataques a alvos militares em território turco realizados por separatistas curdos com bases nas montanhas do norte do Iraque. No domingo, 12 soldados da Turquia foram mortos num desses ataques, uma semana depois de o Parlamento turco ter autorizado o Exército a cruzar a fronteira para perseguir os rebeldes.

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