Sana/Reuters
Sana/Reuters

EUA pressionam Iraque por auxílio do Irã à Síria

Governo americano descobriu que aviões iranianos enviam, em vez de ajuda humanitária, armas e homens para ajudar Assad

estadão.com.br,

19 de setembro de 2012 | 18h53

O senador democrata dos EUA John Kerry, chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado, ameaçou nesta quarta-feira, 19, bloquear a ajuda americana ao Iraque. O motivo são os voos iranianos com destino à Síria que passam pelo país sem inspeção.

Veja também:

link Síria pode ficar no topo de agenda da Assembleia da ONU

link Refugiados sírios protestam contra enviado internacional

O governo americano descobriu que os aviões enviam, em vez de ajuda humanitária, armas e especialistas da Guarda Revolucionária iraniana para auxiliar Assad no confronto contra rebeldes sírios. "Parece impróprio que estejamos tentando construir uma democracia e eles estejam trabalhando contra os nossos interesses", disse Kerry.

Em Washington, a administração Obama informou que identificou 117 aviões iranianos que estão transportando armamentos e homens para a Síria. O Departamento do Tesouro americano disse que os aviões são das empresas Iran Air, Mahan Air e Yas Air. O governo do Irã nega enviar combatentes a Damasco em apoio a Assad, seu aliado regional.

Em Londres, o jornal britânico The Times publicou uma entrevista com Adnan Sillu, major do Exército sírio que desertou em meio à guerra civil. Ele disse ter discutido pessoalmente com Bashar Assad as condições para uso de armas químicas contra a população e os rebeldes. Sillu também disse que a transferência das armas para o Hezbollah estaria entre as opções como "medida de último caso."

Encontro

Bashar Assad teve uma reunião em Damasco com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi. O chanceler iraniano pediu uma solução síria para a guerra civil que atinge o país. Damasco foi atingida hoje por duas bombas, que deixaram um número não informado de baixas.

Salehi, que nesta semana pediu por um cessar-fogo entre as tropas do governo e os insurgentes, afirmou que isso deveria ser feito em "parceria com as organizações internacionais e regionais". Após o encontro, Assad disse que a guerra em que a Síria mergulhou atinge não apenas o país, mas tem como objetivo atacar o "eixo da resistência", um termo que Síria, Irã e o Hezbollah usam para designar a si próprios, devido à oposição comum a Israel.

Assad também disse que a Síria "mostrou abertura e lidou com todas as iniciativas para encontrar uma solução para a crise. A chave para o sucesso de uma iniciativa é a sinceridade das intenções que estão por trás dela."

Fronteira com a Turquia

Rebeldes sírios tomaram o posto de fronteira de Tal Abyad, nos limites entre a Síria e a Turquia, nesta quarta-feira, 19. Eles retiraram a bandeira atual da Síria, a substituíram pela bandeira dos insurgentes e permitiram que pessoas - algumas comemorando, outras feridas - passassem por baixo da barreira de arame farpado.

A captura de Tal Abyad dá um impulso estratégico e logístico para a oposição, facilitando a passagem de suprimentos e provendo uma área de controle, que é chave para que os rebeldes possam fazer avanços na guerra civil contra o regime de Assad.

Com  NYT, AP e Dow Jones

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.