AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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EUA pressionam militares birmaneses para pôr fim à repressão à minoria muçulmana

mundo não pode assistir de maneira passiva às atrocidades que têm sido noticiadas na região, diz secretário de Estado Rex Tillerson

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 16h32

WASHINGTON - Principal fiador da transição da ditadura militar para um governo civil em Mianmar, os Estados Unidos pressionaram ontem os líderes birmaneses para pôr fim à repressão contra minoria étnica muçulmana rohingya, que provocou o êxodo de mais de 500 mil pessoas para Bangladesh. O secretário de Estado Rex Tilleron evitou falar sobre ações diplomáticas contra a ofensiva contra a minoria, mas disse estar “profundamente preocupado com a crise.

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“O mundo não pode assistir de maneira passiva às atrocidades que têm sido noticiadas na região”, disse Tillerson em evento no Washington's Center for Strategic and International Studies. “Esperamos que a liderança militar do país seja responsabilizada pelo que está acontecendo.”

Ainda na gestão Barack Obama, os Estados Unidos se aproximaram do isolado país e apoiaram a transição que levou a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi a liderar um governo civil em Mianmar após décadas de ditadura militar. 

Nos últimos meses, as operações do Exército contra rebeldes rohingyas na fronteira com Bangladesh provocou o deslocamento de ao menos 500 mil pessoas, em meio a acusações de limpeza étnica e pedido que o Nobel de Suu Kyi fosse retirado em virtude de seu silêncio diante de evidências de crimes contra direitos humanos. 

Ainda de acordo com Tillerson, a Casa Branca compreende a necessidade de combater os rebeldes, mas os militares devem permitir acesso de entidades internacionais à fronteira para que seja esclarecida a amplitude da crise. 

 

“Se as denúncias forem verdadeiras, caberá aos militares escolherem que papel eles desempenharão no futuro de Mianmar”, acrescentou o secretário de Estado, que elogiou a democracia emergente no país. “Permaneceremos engajados e buscaremos uma solução nas Nações Unidas.

Estados Unidos e União Europeia estudam sanções contra o governo birmanês, especificamente contra o comando militar do país, responsável pela ofensiva. A solução, no entanto, não é simples. As potências ocidentais temem o efeito que as punições possam ter nas relações ainda tensas entre o Exército e o governo civil de Suu Kyi, bem como o impacto na economia do pais. 

O secretário de Estado deve discutir a crise em sua viagem à Índia na semana que vem. Segundo ele, há contatos preliminares com países democráticos da região para encontrar uma saída./ REUTERS

 

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