EUA pressionam por fim do programa nuclear norte-coreano

Negociador americano chega ao Japão e pede "paciência" sobre o descumprimento da divulgação de relatório

Efe,

07 de janeiro de 2008 | 11h46

Os Estados Unidos retomaram nesta segunda-feira, 7, os esforços para conseguir o desmantelamento nuclear da Coréia do Norte, dias depois de o país não cumprir o prazo para divulgar o relatório completo de seus programas nucleares. O negociador nuclear americano, Christopher Hill, chegou a Tóquio buscando, mais uma vez, discutir sobre o desarmamento atômico da Coréia do Norte e pedindo "paciência". Ele também visitará Seul, Pequim e Moscou. Hill, que já se reuniu com o negociador japonês, Kenichiro Sasae, quer coordenar a resposta dos outros países envolvidos na negociação - Coréia do Sul, China, Japão e Rússia - ao descumprimento pela Coréia do Norte do acordo segundo o qual apresentaria até 31 de dezembro uma declaração de seu arsenal nuclear. A Coréia do Sul não descarta uma reunião em Pequim entre os países que participam das negociações multilaterais para acelerar o desmantelamento e acredita que não seria necessária a apresentação de uma declaração nuclear completa da Coréia do Norte no encontro. O negociador americano disse que todos os países envolvidos na negociação nuclear desejam "avançar", mas que isso só será possível se o regime de Pyongyang emitir uma declaração "completa" de seu programa atômico. "Eles iam nos dar uma declaração incompleta e incorreta, mas pensamos que era melhor que nos dessem uma completa, mesmo que já fosse tarde", afirmou Hill ao chegar a Tóquio. "Entendemos que esse tem sido um processo difícil, que poucas vezes avança, mas que devemos ter paciência e perseverança", acrescentou. Pyongyang não cumpriu o acordo que fechou com Coréia do Sul, Estados Unidos, China, Rússia e Japão em fevereiro de 2007 segundo o qual entregaria uma lista completa de suas atividades nucleares. Em troca disso, a Coréia do Norte receberia ajuda energética e conseguiria um reconhecimento de seu regime na comunidade internacional, mas até agora o país não entregou o relatório atômico completo. O regime de Kim Jong-il também seguiu uma tática recorrente: prometeu entregar a declaração, afirmou que já tinha entregado em novembro - fato negado por Washington -, não se pronunciou durante dias e, finalmente, usou a retórica a favor da "dissuasão bélica" contra os "imperialistas" dos EUA. Christopher Hill afirmou que, apesar de tudo, houve "alguns progressos" em 2007, e espera que 2008 seja o ano do "total desarmamento nuclear" da Coréia do Norte. Influência dos EUA Perto do fim de seu mandato, o presidente George W. Bush precisa mostrar a relevância de seu governo em nível internacional, depois do fracasso no Iraque, e quer aproveitar os avanços obtidos com a Coréia do Norte e o fim de seu arsenal nuclear. Os EUA confirmaram em novembro que o regime de Pyongyang tinha começado a desmontar suas principais instalações nucleares do complexo de Yongbyon, processo que permitiria sua normalização diplomática e, a longo prazo, sua retirada da lista de países terroristas.

Tudo o que sabemos sobre:
Coréia do Norteprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.