EUA pressionam por resolução sobre o Iraque

O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ampliou os contatos telefônicos com chanceleres dos demais países-membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU, em busca de apoio para a aprovação de uma resolução que levante as sanções aplicadas contra o Iraque depois da Guerra do Golfo (1991). Os EUA pretendem submeter a proposta a votação amanhã. O texto inicial foi modificado para atender a reivindicações de China, Rússia e França, entre as quais a concessão de maior poder para a ONU na administração interina e reconstrução do Iraque. A nova redação mantém os Estados Unidos e Grã-Bretanha como potências ocupantes, firmemente no controle do Iraque e de sua riqueza petrolífera até que "um governo representativo, internacionalmente reconhecido" seja instalado. Representantes da China, Rússia e França - membros permanentes e com direito a veto, ao lado dos EUA e Grã-Bretanha - disseram estar estudando a terceira versão. Hoje ainda não estava claro se os EUA obteriam o apoio dos 15 membros, como pretende Negroponte, mas é improvável que algum país vote contra. Além disso, nenhum dos membros permanentes demonstrou intenção de vetar a proposta. O presidente francês, Jacques Chirac, indicou apenas a possibilidade de abstenção, caso não seja concedido um papel mais amplo à ONU na redemocratização do Iraque.Diplomatas na organização disseram que o novo papel está mais próximo do assumido pela ONU na província sérvia de Kosovo e no Afeganistão. Outra mudança refere-se ao papel dos inspetores de armas da ONU. A resolução que impôs as sanções ao Iraque determinava sua remoção apenas depois de os peritos das Nações Unidas certificarem que o país não possui mais armas de destruição em massa. Mas os EUA se recusam a admitir a volta dos inspetores, e têm uma equipe própria procurando o suposto arsenal. O novo texto reafirma a obrigação de desarmamento iraquiano e abre a possibilidade de revisão dos necessidade de envio de inspetores da ONU.

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