EUA prometem dar prioridade à América Latina

O diretor do escritório de planejamento de políticas do Departamento de Estado norte-americano, Richard Haass, disse nesta quarta-feira que os EUA estão interessados em reforçar os laços com a América Latina, restaurando - na medida do possível - as prioridades diplomáticas da administração de George W. Bush alteradas após os ataques de 11 de setembro. "A administração assumiu o poder com o propósito de consolidar a democracia e promover o crescimento econômico da América Latina", disse Haass, numa entrevista em São Paulo. "É verdade que essas prioridades foram alteradas pela guerra contra o terror. Mas agora estamos novamente empenhados em reforçar esses laços." Haass chegou ao Brasil na segunda-feira para manter contatos com os principais candidatos à eleição presidencial de 6 de outubro e com o ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer. Ele elogiou o processo eleitoral do Brasil e declarou que os EUA esperam do próximo governo o mesmo apoio à luta contra o terrorismo internacional que têm recebido atualmente de Brasília. "A guerra contra o terror é uma causa à qual todos devem estar engajados, incluindo o Brasil", disse. Sobre a iminência de um ataque norte-americano ao Iraque, Haass afirmou que não conhece um plano de Bush para o lançamento de uma ofensiva imediata. Indagado sobre se há uma tendência de encampar a visão do vice-presidente Dick Cheney - para quem uma ação contra Bagdá deve ser lançada rapidamente -, Haass disse que o consenso no governo dos EUA é o de que Saddam é uma ameaça mais perigosa a cada dia. "Tenho poucas certezas na vida", disse Haass. "Uma delas é a de que o regime iraquiano trabalha 24 horas por dia para desenvolver armas de destruição em massa, principalmente químicas e biológicas. Não sabemos ao certo em que ponto está a capacidade nuclear do Iraque, mas é certo que eles tentam também obter armas atômicas." Haass disse esperar do Brasil um papel ativo na promoção da estabilidade nos países vizinhos, sobretudo na Venezuela e na Colômbia. "No caso da Venezuela, o Brasil já se mostrou disposto a apoiar um diálogo de reconciliação entre o governo do presidente Hugo Chávez e a oposição. Em relação à Colômbia, esperamos que os brasileiros mostrem disposição para atuar em favor da estabilidade sempre que o governo colombiano solicitar alguma ajuda desse tipo." O diplomata norte-americano disse ter ouvido da assessoria de alguns candidatos à presidência do Brasil a defesa da tese de que não pode haver solução militar na Colômbia. "Concordo que não poderia haver uma solução estritamente militar, mas acho que ela deve exigir algum tipo de componente militar-policial. Principalmente em relação ao reforço da segurança da população civil e na ampliação dos meios de pressão sobre a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)." Autor do livro "The Reluctant Sheriff" (O Xerife Relutante) - no qual defende que os EUA deveriam assumir a responsabilidade pela vigilância da liberdade no mundo, Haass afirmou que não saberia que título dar à obra se a tivesse escrito hoje. "Após 11 de setembro, não fomos nada relutantes. Fomos até bastante resolutos", disse.

Agencia Estado,

28 Agosto 2002 | 20h28

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