REUTERS/Ray Whitehouse
REUTERS/Ray Whitehouse

Motorista do caminhão com imigrantes no Texas pode pegar pena de morte

Temperatura no veículo superaquecido por ter atingido os 65ºC; 10 pessoas morreram e 30 foram hospitalizadas com desidratação

O Estado de S.Paulo

24 Julho 2017 | 10h35
Atualizado 24 Julho 2017 | 21h40

WASHINGTON - O caminhoneiro do veículo no qual estavam fechados dezenas de imigrantes sem ventilação no domingo no sul do Texas, James Bradley, pode ser processado por transporte ilegal de pessoas com resultado de morte. O crime é passível de punição com perpétua ou pena de morte. 

Ele declarou aos investigadores nesta segunda-feira, 24, após a tragédia ter deixado dez mortos, que não sabia que havia pessoas na parte traseira do veículo. De 60 anos e natural da Flórida, Bradley disse que abriu a carroceria do caminhão em um estacionamento da rede de lojas Walmart em San Antonio, no Texas, após ouvir socos vindos do interior. O sistema de refrigeração não estava funcionando.

Segundo o escritório do promotor do Distrito Ocidental do Texas, o motorista disse que tentou ajudar os imigrantes. Bradley tem um longo histórico criminal, segundo a imprensa. 

O número de imigrantes mortos após ter permanecido dentro do caminhão sem ventilação subiu para dez com a morte de duas pessoas em um hospital de San Antonio. Quando o veículo foi encontrado, já havia dentro dele oito corpos. Outras vítimas continuavam internadas em situação grave. 

Segundo os investigadores, Bradley admitiu saber que o sistema de refrigeração da carroceria não estava funcionando e os quatro orifícios de ventilação estavam possivelmente obstruídos. De acordo com testemunhos, as vítimas se revezavam para respirar por uma passagem de ar. 

O comunicado da promotoria não esclarece quem fez a primeira ligação para as autoridades. O motorista testemunhou que ligou para sua mulher e não para a emergência.

Não se sabe exatamente quantas pessoas estavam no caminhão. Segundo testemunhos, entre 70 e 180 estariam na carroceria para cruzar ilegalmente a fronteira entre EUA e México. 

No estacionamento, foram encontradas cerca de 40 pessoas, afetadas pela falta de oxigênio e pelo calor – durante o dia, a temperatura passou de 37°C. Do total, 29 foram internadas, 17 delas em estado crítico. Câmeras de segurança registraram vários veículos levando pessoas que saíam do caminhão antes da chegada dos agentes.

O caminhão saiu da cidade de Laredo, na fronteira com o México, a cerca de 240 quilômetros de San Antonio. Um dos passageiros descreveu à Associated Press que sua jornada começou no México e ele havia atravessado a fronteira com uma jangada, pagando a atravessadores cerca de US$ 700, um valor que incluiria a proteção do cartel Zetas.

Ele afirmou ter caminhado um dia todo e, na estrada, tomado caminhão até Laredo, onde foi transferido para outro caminhão, já cheio com outros imigrantes, que seguiu para San Antonio. Nos EUA, ele deveria pagar mais US$ 5,5 mil a traficantes. 

O chefe de polícia disse que a idade das pessoas no caminhão variava de crianças até adultos com cerca de 30 anos. As nacionalidades não eram conhecidas, mas pelo menos um dos mortos e dois internados eram guatemaltecos. Acredita-se que os demais sejam procedentes de outros países da América Central e do México.

Travessia perigosa. Cerca de 7 mil imigrantes ilegais que tentavam atravessar a fronteira do México com os EUA já morreram desde 1998, segundo a Polícia de Fronteira. O número pode ser maior, porque a contagem é feita apenas quando os corpos são encontrados. / REUTERS, AFP e AP 

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