EUA promoverão batalha judicial contra a China por ciberespionagem

Departamento de Justiça pedirá indiciamento de 5 membros do Exército chinês suspeitos de hackear dados

O Estado de S. Paulo,

19 Maio 2014 | 10h31

(Atualizada às 13h20) WASHINGTON - O departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu o indiciamento de cinco integrantes do Exército chinês suspeitos de ciberespionagem contra o governo e empresas americanas. É a primeira vez que Washington acusa criminalmente oficiais de outros países de crimes dessa natureza.

Segundo fontes do departamento de Justiça, as investigações começaram em 2012. As principais suspeitas recaíam sobre roubo de propriedade intelectual e segredos de segurança nacional que podem valer bilhões de dólares.

O procurador-geral americano, Eric Holder, disse que a espionagem industrial chinesa foi cometida para dar vantagens competitivas a empresas estatais do país com a ajuda de uma unidade militar de hackers com sede de Xangai. "Essa conduta criminosa não é responsável e nem tolerável por nenhuma nação séria", afirmou John Carlin, procurador-geral adjunto.

Entre as empresas afetadas pela ciberespionagem estão United States Steel, Alcoa, Westinghouse Electric, SolarWorld, Alleghny Tecnologies e United Steel Workers, o maior sindicato de empregados da indústria do aço.

Segundo Carlin, os dados obtidos ilegalmente foram utilizados para que empresas chinesas obtivessem vantagens durante negociações para um contrato de usinas nucleares e durante disputas comerciais internacionais.

Os acusados serão processados pelos tribunais federais do Estado da Pensilvânia. "Esperamos que o governo chinês coopere e demonstre que respeita a lei, esperamos que um dia estes indivíduos compareçam perante os tribunais da Pensilvânia", disse o procurador-geral.

O Departamento de Justiça americano assegurou que tem provas e conseguiu rastrear a fonte da espionagem até a unidade militar chinesa "Unidade 61398", que opera em Xangai.

Holder disse que as perdas financeiras das empresas afetadas são "muito significativas" e, segundo o promotor federal da Pensilvânia, David J. Hickton, "custaram demissões". "Roubaram informações úteis para concorrentes estatais chineses e obtiveram informação interna sensível de litígios com o objetivo de servir aos interesses de companhias chinesas", explicou Holder, ressaltando que os EUA não espionarão para beneficiar suas empresas. / WASHINGTON POST e EFE

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