EUA propõem acordo para manter cerca de dez mil soldados no Afeganistão

Plano de dois anos depende de o governo afegão assinar um acordo bilateral com governo americano

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington ,

27 Maio 2014 | 13h48

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira, 27, que pretende manter 9.800 soldados no Afeganistão após o fim do ano, quando as missões de combate das tropas americanas no país serão concluídas. Segundo ele, os dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial afegã no dia 14 de junho se mostraram inclinados a assinar o acordo de segurança bilateral que permitirá estender a presença militar dos EUA depois do fim oficial da guerra.

Sem esse documento, Obama deixou claro que os soldados americanos não ficarão no país além de 2014. Atualmente, 33 mil militares dos EUA estão no Afeganistão. A maioria deixará o país até o fim do ano. Se forem autorizadas a permanecer, as tropas remanescentes terão a função de treinar as Forças Armadas do Afeganistão e participar de operações de combate ao terrorismo.

O atual presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, se negou a assinar o pacto bilateral e decidiu esperar a eleição de seu sucessor. Os dois candidatos que se enfrentarão no segundo turno - Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani - se mostraram inclinados a ratificar o pacto os Estados Unidos.

A partir de 2015, os afegãos serão totalmente responsáveis por sua segurança, ressaltou Obama, dizendo que as tropas americanas não participarão mais de missões regulares em vilas e regiões tribais do Afeganistão. "Os americanos terão um papel de aconselhamento."

O número de soldados será reduzido à metade no fim de 2015, disse Obama. Um ano mais tarde, a presença dos EUA no Afeganistão seria limitada à embaixada e ao contingente necessário para prover segurança às atividades diplomáticas.

"Os americanos aprenderam que é mais fácil começar guerras do que terminá-las", declarou Obama. O fim das guerras no Iraque e no Afeganistão foi uma de suas principais promessas de campanha. A do Iraque chegou ao fim em 2011, quando todos os soldados americanos deixaram o país em razão da inexistência de um acordo bilateral que permitisse a permanência de tropas.

Iniciada há 13 anos, a guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos Estados Unidos. Obama lembrou que quando assumiu o cargo, em 2009, havia 180 mil soldados americanos nos dois países. De acordo com o plano apresentado hoje, esse número será inferior a 10 mil no fim de 2014.

"Neste ano, a mais longa guerra dos Estados Unidos chegará a um fim responsável", disse o presidente. Com a manutenção de tropas no país, os EUA querem evitar que se repita no Afeganistão o cenário vivido pelo Iraque, onde não houve entendimento para permanência de tropas americanas depois do fim da guerra. Nos últimos meses, o Iraque assistiu à insurgência de grupos ligados à Al-Qaeda, ao agravamento da violência sectária e à ameaça de o país mergulhar em uma guerra civil.

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