EUA propõem negociação a Cuba

Washington quer discutir sobre imigração de cubanos

REUTERS E ASSOCIATED PRESS, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

O Departamento de Estado americano afirmou ontem que ofereceu a Havana a retomada das discussões sobre a imigração de cubanos para os Estados Unidos. A proposta é um novo sinal do esforço de Washington para se reaproximar do regime cubano. As negociações, que tinham sido encerradas em 2004, no governo de George W. Bush, abordam um acordo de meados da década de 90 que buscava evitar o êxodo de refugiados cubanos aos EUA, como o do Porto de Mariel, em 1980, e uma série de fugas em balsas em 1994."Oferecemos a retomada das conversações", disse a porta-voz do Departamento de Estado Heide Bronke. Ela acrescentou que a oferta foi feita durante uma reunião de diplomatas americanos com seus homólogos cubanos em Washington ontem à tarde.Tal como se esperava, a oferta do governo de Barack Obama a Cuba provocou reações da comunidade cubano-americana, com algumas pessoas descrevendo-a como uma concessão unilateral a um regime ditatorial e outras elogiando-a como um passo para melhorar os laços entre os dois países.Em 13 de abril, Obama decidiu aliviar as restrições de viagens e envio de dinheiro de cubano-americanos à ilha. Também permitiu às companhias de telecomunicações americanas trabalhar em Cuba, em um passo, segundo alguns analistas, que poderia levar ao fim do embargo de quase 50 anos contra o país caribenho.Analistas interpretaram a oferta de conversações como um novo gesto que reflete o desejo de Obama de aproximar-se de Cuba, tal como fez com outras nações como Irã e Síria, com as quais, por décadas, os EUA têm mantido tensas relações.O acordo de imigração de 1995 buscou pôr um fim à imigração em massa de cubanos, que cruzavam o mar que separa Cuba da península da Flórida em balsas precárias. O pacto estabeleceu que as autoridades americanas poderiam repatriar a Cuba os imigrantes cubanos interceptados no mar. Havana também se comprometeu a deter o êxodo de cubanos para os EUA.O governo Bush suspendeu as conversações argumentando que Cuba havia rejeitado discutir temas-chave como a autorização de saída a todos os cubanos que recebessem vistos para os EUA.A porta-voz do Departamento de Estado disse que não sabe se o governo cubano responderá de forma positiva à oferta americana de conversações.

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