EUA quer proibir fabricação de materiais para armas nucleares

Os Estados Unidos apresentaram nesta quinta-feira naConferência de Desarmamento da ONU, que se reúne em Genebra, um projeto de tratado internacional que proíbe a produção de material para a fabricação de armas nucleares.Trata-se da primeira proposta deste tipo apresentada por um país diante do órgão, formado por 65 nações e que desempenhou um papel fundamental nas tentativas de conter a proliferação de armas nucleares até o fim da Guerra Fria.Ao apresentar a iniciativa, o secretário de Estado adjunto para Controle de Armamento dos EUA, Stephen Rademaker, disse que Washington acredita na aprovação, o que permitiria tirar a Conferência de Desarmamento do ponto de estagnação. A entidade, "nos últimos nove anos, não fez nenhum trabalho substantivo".O texto tem apenas quatro páginas e não deveria ser muito difícil de negociar, se houver vontade política para fazer isso, afirmou o diplomata americano em entrevista coletiva, em Genebra.As crescentes inquietações provocadas pelo programa nuclear do Irã levaram os países-membro da Conferência de Desarmamento a tentarem desbloquear a paralisia na qual está imerso o órgão, disseram outras fontes diplomáticas.Soma-se ainda o caso da Coréia do Norte, que, após se retirar no início de 2003 do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), admitiu que mantém um programa para produzir bombas nucleares.Embora Rademarker tenha evitado estabelecer uma relação direta entre o caso do Irã e a proposta americana, em seu discurso à Conferência de Desarmamento, ele questionou abertamente a atitude de Teerã.O secretário americano defendeu que o Conselho de Segurança da ONU deve "cumprir sua responsabilidade de responder à ameaça que representam as atividades clandestinas do Irã e sua falta de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".A proposta americana só abrange a proibição da produção dematerial a partir da entrada em vigor do tratado, mas não afeta as reservas existentes.Para a negociação do texto, os EUA propuseram a criação de um comitê especial que ficaria responsável por fazer isso. "Temos esperança de que (desse processo) possa emergir um texto regulamentado", disse Rademarker.De acordo com a proposta, o tratado só entraria em vigor quando as cinco potências nucleares oficiais - China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos - ratificassem a idéia. No entanto, o projetonão inclui procedimentos específicos de verificação nem regimes de inspeção comparáveis aos da AIEA.Na mesma sessão da Conferência de Desarmamento, o diplomata iraniano Hamid Eslamizad garantiu que Teerã tem "intenções pacíficas". Para ele, se a comunidade internacional o ouvir, "pode haver solução para a situação com a AIEA".

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