EUA querem apoio internacional, mas só para atacar Iraque

A Casa Branca espera receber a luz verde do Congresso para atacar o Iraque em menos de um mês. A aprovação da ação militar pelos legislativo americano não significa necessariamente que ela ocorrerá nas próximas semanas. Os chefes do Pentágono afirmam que ainda não têm um plano deguerra pronto. Mas a insistência da administração para ter a autorização para o ataque antes do recesso parlamentar pré-eleitoral, que começa o mais tardar no dia 11 de outubro, é mais uma indicação de que o presidente George W. Bush já tomou a decisão de desencadear a ação para remover o regime de Saddam Hussein do poder em Bagdá, sob o argumento de que ele representa uma ameaça real para os Estados Unidos e precisa ser eliminadoantes de ter chance de agir.A administração americana está disposta a respeitar a coreografia das Nações Unidas e buscar apoio internacional para tal ação e legitimá-la por meio de uma resolução dura do Conselho de Segurança, que convença Bagdá a aceitar rápida eincondicionalmente o regime de inspeção de armas que aceitou como parte dos termos de rendição na Guerra do Golfo, em 1991. Mas não aceitará desfechos que limitem suas opções para atacar oIraque.Essa postura, que balizará o discurso do presidente George W. Bush à Assembléia Geral das Nações Unidas, nesta quinta-feira, foi apresentada de forma cristalina pelo vice-presidente DickCheney, em entrevista à NBC, no domingo, e reiterada hoje num discurso que fez para comemorar os 40 anos de fundação do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. "Ninguém deve terqualquer dúvida de que o presidente está absolutamente comprometido e determinado a lidar com essa ameaça e fazer o que for necessário para garantir que isso acontecerá".O vice-presidente americano deixou claríssimo que a opinião internacional - que é hoje radicalmente contrária a uma ação punitiva contra o Iraque - só será levada em conta por Washington se mudar e passar a apoiar os planos de Bush. "Estamos tentando seriamente não ser unilateralistas", disse Cheney. "Estamos trabalhando com o Congresso para ganhar o apoio do povo americano, como muitos sugeriram que fizéssemos, estamos também indo às Nações Unidas, como muitos também sugeriram; mas nada disso significa que estamos preparados para ignorar as realidades".A realidade, na versão que Washington, é que o regime de Saddam Hussein está prestes a adquirir a capacidade de construir uma bomba atômica e usá-la contra um alvo americano e os EUA não se sujeitarão a esse tipo de ameaça. "Imagine um 11 de setembro com armas de destruição em massa", disse no domingo o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que é, junto com Cheney, o mais aguerrido defensor da guerra contra Saddam no gabinente americano. Para Rumsfeld, não existe argumento que possa justificar a posição dos que recomendam cautela ou defendem alternativas para o tratamento da ameaça potencial que o Iraquerepresenta, tal como a continuação da estratégia de contenção política e militar do regime de Saddam Hussein, em vigor desde o fim da Guerra do Golfo.Falando hoje na rede ABC, o secretário da Defesa disse que as críticas às falhas do governo em prever os ataques de 11 de setembro reforçam a tese da administração de que os EUA nãodevem esperar que Saddam ataque primeiro. Ele observou que ainda há investigações em curso "para juntar os pontos" e explicar as falhas de inteligência que levaram ao 11 de setembro. "Atarefa, hoje, é conectar esses pontos antes de que uma arma destruição em massa seja usada contra nós, e essa é uma tarefa difícil". Em outras palavras: na visão da Casa Branca, a únicamaneira mais segura de eliminar as dúvidas sobre a a capacidade ofensiva do Iraque e as intenções de Saddam é eliminar Saddam.

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