EUA querem brasileiro à frente da ONU no Iraque

O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, alto comissário de Direitos Humanos da ONU, está sendo requisitado pelo governo dos Estados Unidos para ocupar o posto de representante das Nações Unidas para o Iraque. A notícia foi divulgada hoje pelo New York Times e a equipe do brasileiro, em Genebra, confirmou à Agência Estado que um contato informal da Casa Branca com a ONU de fato foi feito.Vieira de Mello teria a função de coordenar as várias atividades da ONU em termos de saúde, alimentos, educação, refugiados e outros temas relacionados ao aspecto humanitário. Ainda não está claro se Washington também gostaria de ver Vieira de Mello envolvido nos esforços de reconstrução. Procurado pela reportagem, o brasileiro se recusou a fazer comentários e apenas indicou, por meio de sua assessoria, que já tem muito trabalho como alto comissário de direitos humanos.Mas na sede da ONU, onde o brasileiro tem seu escritório, a notícia fez parte das conversas informais e de corredor entre os funcionários e diplomatas. Para alguns, essa seria a oportunidade de que Vieira de Mello precisava para conquistar a confiança dos Estados Unidos, o que no futuro poderia lhe garantir o apoio de Washington para o posto de secretário-geral da ONU."Curiosamente, Vieira de Mello termina seu mandato em 2006, exatamente quando Kofi Annan deixa seu posto como secretário-geral", lembra um diplomata asiático, que deixou claro que o brasileiro não era uma opção de sua região para ocupar o posto de alto comissário de Direitos Humanos.O brasileiro, porém, fazia parte de lista de indicados para o posto elaborada pelos Estados Unidos. Além disso, Vieira de Mello já era o preferido por Annan, depois de seu desempenho como coordenador dos trabalhos da ONU no Timor Leste.Um dos obstáculos para a nomeação do brasileiro seria o fato de que apenas recentemente ele passou a ser o alto comissário de direitos humanos da ONU e sua saída seria vista como sinal de pouco apreço pelo escritório. A decisão final caberá a Annan, que terá que avaliar a importância de designar alguém com relativo peso político, mas evitar passar a mensagem de que no sistema da ONU os direitos humanos são secundários.

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