EUA querem dar aos curdos partes do Irã, Turquia e Síria

O embaixador iraniano em Ancara defendeu que a Turquia, Irã e Síria adotem uma política comum sobre a questão curda, advertindo, numa entrevista publicada nesta terça-feira, que caso contrário "os EUA irão arrancar pedaços nossos para (a formação de) um Estado curdo". A declaração do embaixador Firouz Dowlatabadi foi publicada pelo diário turco Milliyet e confirmada pela Embaixada iraniana em Ancara. Turquia, Síria e Irã compartilham fronteiras e têm grandes populações curdas que militantes separatistas gostariam de ver integradas num Estado curdo independente. Os separatistas se sentem fortalecidos com a grande autonomia desfrutada pelos curdos no Iraque. A Turquia teme particularmente tal cenário, e enfrenta há uma semana distúrbios provocados por curdos que já deixaram 15 mortos e centenas de feridos. "Turquia, Irã e Síria precisam elaborar uma política comum sobre as questões curda e iraquiana. Se houve um vazio entre Turquia, Irã e Síria sobre essas questões, os EUA irão ocupar o vazio", disse. "Os EUA irão arrancar partes nossas para um Estado curdo". Dowlatabadi afirmou que os EUA tentam criar atritos entre o Irã e a Turquia. Para o embaixador iraniano, Washington prefere que a região esteja cheia de pequenos Estados étnicos para mais facilmente controlá-la. "Os EUA tentam evitar o desenvolvimento e o fortalecimento das relações entre a Turquia e o Irã. Eles tentam lançar os dois países num conflito", acrescentou. Autoridades americanas têm pedido à Turquia para ajudar a persuadir o Irã a abandonar ambições de desenvolver armamentos nucleares. Teerã nega tais ambições. Dowlatabadi disse que Washington, que recentemente anunciou publicamente que financiaria grupos de oposição ao regime do Irã, estava seguindo os mesmos princípios que adotou após a revolução iraniana, que derrubou o xá apoiado pelos EUA e levou ao estabelecimento de uma república islâmica conservadora. Mas, para Dowlatabadi, "os Estados Unidos estão numa posição muito mais fraca do que estavam nos primeiros anos da revolução. E o Irã, muito mais poderoso". Novos protestos Em novas confrontações nesta terça-feira, rebeldes curdos atiraram contra delegacias de polícia na cidade de Genc, na região sudeste da província de Bingol, ferindo seriamente um oficial de polícia que fazia a guarda do local. Em uma cidade perto de Omerli, cerca de 300 pessoas se reuniram para comemorar o 57º aniversário do líder guerrilheiro curdo Abdullah Ocalan, preso pelo governo turco. Os manifestantes, que se reuniram na vila em que o líder do partido curdo PKK nasceu, carregavam faixas e gritavam o nome de Ocalan. Os curdos da Turquia há anos denunciam atos de discriminação e demandam direitos culturais.

Agencia Estado,

04 Abril 2006 | 20h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.