EUA querem debater meio ambiente e inclusão social

Assessor diz que será ''lamentável'' se relação com Cuba dominar reunião em Trinidad e Tobago

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

A Casa Branca afirmou ontem que será "lamentável" se a relação com Cuba dominar as discussões na Cúpula das Américas, que será realizada entre os dias 17 e 19 em Trinidad e Tobago. "Acreditamos que seria lamentável se o tema principal dessa reunião fosse Cuba, pois há várias outras questões que deveriam ser discutidas, como inclusão social, meio ambiente e segurança pública", disse o embaixador Jeffrey Davidow, assessor especial da Casa Branca para a cúpula. Há grandes expectativas de que o presidente Barack Obama vá anunciar ampla liberalização do envio de dinheiro e de visitas a parentes na ilha antes da cúpula. Mas a Casa Branca quer deixar claro que ainda não está contemplando uma flexibilização mais profunda na política com Cuba, nem a liberação de todas as visitas à ilha ou o fim do embargo comercial, até mesmo porque isso depende de aprovação do Congresso. "Cuba não era uma democracia na primeira cúpula, em 1994, e continua sendo um país não democrático; os EUA ainda querem ver mudança em Cuba", disse Davidow. "Em alguma altura permitiremos que Cuba se reúna à comunidade interamericana, mas não será nesta cúpula." Davidow disse que "não ficaria surpreso" se Obama anunciasse as esperadas mudanças para cubano-americanos antes da cúpula.Davidow afirmou que Obama não chegará em uma posição defensiva na cúpula e não assumirá culpa pela crise econômica mundial. "Não se trata de assumir responsabilidade pela crise, o presidente já disse que há uma responsabilidade compartilhada", afirmou. "O presidente não está interessado em ficar jogando culpa ou se defendendo. (A crise) é o que é."Segundo o assessor, ao contrário de rumores, é pouco provável Obama ter um encontro bilateral com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. "Provavelmente a maioria dos encontros ao largo da cúpula serão em grupo, pois é difícil tentar montar 33 encontros bilaterais", declarou Davidow. Mas ele disse haver a possibilidade de Chávez e Obama conversarem durante um dos encontros em grupo que fazem parte da cúpula. "A agenda de Obama ainda não está fechada, mas a estrutura da cúpula em Trinidad possibilita grandes oportunidades de discussões entre os presidentes", disse Davidow. Serão três plenárias, várias refeições e uma sessão só com os 34 chefes de Estado.Até agora, nenhum dos cargos de embaixador na região foi preenchido, continuam nos postos todos os indicados do governo George W. Bush. Para Davidow, o fato não demonstra falta de interesse pela região.

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