EUA querem dinheiro de aliados para guerra afegã

Em cúpula da Otan, Washington tentará convencer membros da coalizão a investirem na segurança do país após retirada de tropas

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / CHICAGO, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h05

Com a retirada das tropas americanas do Afeganistão, marcada para dezembro de 2014, os EUA enfrentam neste fim de semana o desafio de impedir a saída de seus aliados do front antes do prazo e de convencê-los a investir mais recursos na etapa a começar em 2015. O tema vai consumir a maior parte da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que começa hoje em Chicago.

A pressão por mais recursos para as forças de segurança do Afeganistão no período após 2014 chega em um momento de forte ajuste nas contas públicas nos EUA e na Europa e de exaustão da opinião pública com os quase 11 anos de guerra.

O conflito custou US$ 100 bilhões até o momento e o valor considerado necessário para bancar a segurança do país, a partir de 2015, é de US$ 4 bilhões ao ano. Os aliados dos EUA concordaram em desembolsar US$ 1,3 bilhão. Sob severo controle fiscal, a Casa Branca não quer arcar sozinha com os restantes US$ 2,7 bilhões.

As divergências sobre a permanência das tropas aliadas até o fim de 2014 aumentaram com a promessa eleitoral de François Hollande, empossado esta semana presidente da França, de retirar os 3,4 mil soldados de seu país do Afeganistão até dezembro.

Para o embaixador James Dobbins, diretor da Rand International, Hollande será convencido a estender o prazo em Chicago. A Otan já perdeu a contribuição das tropas do Canadá e da Holanda.

"A guerra civil no Afeganistão, entre o governo e o Taleban, vai continuar depois de 2014. O governo afegão tem sido capaz de controlar Cabul e substanciais partes do norte e do oeste, mas não todo o país", afirmou Bruce Riedel, membro do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca nos últimos quatro governos americanos.

Compromisso. A Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf, na sigla em inglês) reúne 50 países. Em Chicago, representantes de cada um deles observarão as discussões entre os 28 chefes de Estado e de governo dos países da Otan.

"Espero o compromisso de financiar as forças de segurança nacional do Afeganistão depois de 2014", afirmou o almirante americano James Stavridis. "Como sofremos essa pressão fiscal, precisamos claramente agir juntos, de forma eficiente, para criar capacidade com quantias razoáveis de dinheiro." De acordo com ele, a receita da Otan para compensar a escassez de recursos chama-se "defesa inteligente" ou "fazer mais com menos".

O problema está em como alcançar esse objetivo com o encolhimento dos orçamentos abaixo do limite sugerido pela Otan, de 2% do PIB. Dos 28 países da aliança atlântica, somente 6 mantiveram esse piso, entre os quais os EUA, a França e a Grã-Bretanha.

O episódio da ação militar da Otan na Líbia provou o quanto a capacidade europeia estava debilitada e como foi necessária a oferta americana de mísseis Tomahawk, dos equipamentos de inteligência e dos aviões não tripulados, de guerra eletrônica e de reabastecimento. Ainda assim, a Alemanha planeja cortar seus gastos militares em 25% nos próximos quatro anos e a Grã-Bretanha pretende diminuir suas despesas em 7,5% até 2015.

Papel da Rússia. Nesse ambiente, a discussão sobre a cooperação para a construção do sistema de míssil de defesa europeu - oficialmente, contra o Irã - não enfrenta apenas a oposição da Rússia.

Convidado para o evento de Chicago, o presidente russo, Vladimir Putin, recusou, dizendo estar ocupado com a formação de seu gabinete. A tarefa, a rigor, caberia ao novo primeiro-ministro, o ex-presidente Dimitri Medvedev, que representará a Rússia no encontro.

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