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EUA querem ''diplomacia direta'' com o Irã, diz embaixadora na ONU

Susan Rice adverte que fim do polêmico programa nuclear iraniano é uma das prioridades do governo Obama

, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

A nova embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse ontem que o novo governo americano vai propor uma "diplomacia direta" com o Irã. Para ela, o programa nuclear iraniano é uma prioridade para o presidente Barack Obama. "Estamos ansiosos para nos engajar em uma diplomacia vigorosa, que inclui a diplomacia direta com o Irã", afirmou Susan, após uma conversa com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A negociação direta com Teerã era uma das promessas de campanha de Obama, que estaria, assim, desmontando mais um pilar da política externa do ex-presidente George W. Bush, que tentou manter o Irã em completo isolamento diplomático nos últimos anos. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, que colocou o poder nas mãos dos aiatolás, EUA e Irã não mantêm relações diplomáticas nem qualquer contato oficial de alto nível. A embaixadora dos EUA na ONU, porém, disse que o restabelecimento de contatos bilaterais dependeria da posição de Teerã."Diálogo e diplomacia devem caminhar juntos com uma mensagem firme dos EUA e da comunidade internacional de que o Irã precisa cumprir o que determina o Conselho de Segurança da ONU", disse Susan. "A insistência em descumprir essas determinações provocará apenas um aumento da pressão diplomática."SANÇÕESO programa nuclear iraniano foi a razão de o Conselho de Segurança ter aprovado sanções econômicas e comerciais contra o Irã. O pacote de medidas, no entanto, não obteve o efeito desejado e o programa nuclear, que Teerã afirma ser para fins pacíficos, continua ativo. Em sua sabatina no Senado, há duas semanas, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, já havia garantido que o novo governo americano buscaria outra estratégia para lidar com o Irã. De acordo com Hillary, o "engajamento" seria uma forma alternativa de tentar mudar o comportamento de Teerã e convencê-lo a pôr fim ao programa nuclear. Hillary, entretanto, deixou claro que o novo governo continuará tratando de maneira dura o apoio iraniano ao Hezbollah e ao Hamas, a interferência contínua do Irã no funcionamento dos outros governos e a busca de armas nucleares por parte de Teerã.APROXIMAÇÃOO Irã ainda considera os EUA "o grande satã", mas após a eleição de Obama, o governo deu sinais de aproximação, dizendo que estava "pronto para o diálogo com os americanos". O chanceler Manuchehr Mottaki disse que o regime estaria analisando a possibilidade de permitir a abertura de uma representação diplomática em Teerã. REUTERS, AFP E APRELAÇÃO DIFÍCILRevolução Islâmica - em 1979, revolucionários iranianos derrubam o xá Reza Pahlevi, que era apoiado pelos EUA, e transformam o país numa teocracia islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.Tomada da embaixada americana em Teerã - em novembro de 1979, cerca de 300 estudantes invadiram a embaixada dos EUA e fizeram 52 reféns. Após umafracassada tentativa de resgate, em 1980, eles são soltos em janeiro de1981, 444 dias depois, após acordo mediado pela Argélia.Caso Irã-Contras - os EUA apoiavam o Iraque na guerra contra o Irã (1980-1988), mas em 1986 descobriu-se que os americanos vendiam armas secretamente para os iranianos e usavam o dinheiro para financiar os contrarrevolucionários na NicaráguaTragédia do voo 655 - em 1988, o navio americano USS Vincennes disparou um míssil teleguiado que abateu no ar um Airbus da Iran Air, matando 290 passageiros, sendo 66 crianças.

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