EUA querem dividir poder de Karzai no Afeganistão

Plano prevê indicação de um premiê; Holbrooke diz desconhecer proposta

NYT E THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

Os Estados Unidos e seus aliados europeus estudam instalar no governo afegão um novo chefe executivo ou uma autoridade com papel de primeiro-ministro para que divida o poder com o presidente Hamid Karzai.Com a designação de uma figura leal à Casa Branca em Cabul, os EUA esperam que a corrupção diminua e os recursos cheguem mais facilmente aos governos das 34 províncias e dos 396 distritos afegãos. Os EUA desconfiam da real disposição de Karzai - que assumiu em 2001, com apoio americano - para coibir os casos de corrupção ocorridos em seu governo.A estratégia teria sido sugerida por assessores do presidente americano, Barack Obama, e poderia ser apresentada durante a conferência sobre o Afeganistão que será realizada em Haia, na Holanda, no dia 31."Há necessidade de descentralizar o poder (no Afeganistão)", disse uma autoridade europeia ao jornal britânico The Guardian, sem se identificar. "O ponto no qual insistimos é que agora é hora para uma nova divisão de responsabilidades entre o poder central e o poder local."Em Bruxelas, o representante dos EUA para Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, disse esperar que as eleições afegãs, marcadas para agosto, sejam "abertas e livres". Ele também disse desconhecer a existência do plano. "Que eu tenha conhecimento, isso não reflete nenhum ponto de vista de pessoas do governo para o qual eu trabalho. Esse também não é um plano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)."RESISTÊNCIANa semana passada, Karzai - que concorrerá à reeleição - já havia criticado as intenções de uma nação estrangeira interessada em enfraquecer seu poder. Sem mencionar nomes, o presidente afegão advertiu: "Esse não é o trabalho deles. O Afeganistão nunca será um Estado fantoche."Um diplomata que não quis se identificar disse que a divisão de poder é a única alternativa viável no Afeganistão. "Ninguém pode assegurar que outra pessoa (que assumisse o lugar de Karzai) não se tornaria (um presidente) dez vezes pior". Para outro diplomata ouvido pelo Guardian, "Karzai não está funcionando. Se vamos apoiar seu governo, ele tem de funcionar direito para assegurar que os níveis de corrupção diminuam, e não aumentem. O grau de corrupção de hoje é assustador."

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