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EUA querem enviar americano acusado de apoiar o EI para a Síria com dinheiro e um novo celular

Defesa do preso em uma base do Iraque afirma que enviá-lo para o país vizinho seria uma 'sentença de morte'

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 12h31

WASHINGTON - Militares dos Estados Unidos planejam libertar um americano que está sob custódia em uma base no Iraque acusado de apoiar o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e enviá-lo para a Síria após entregar-lhe US$ 4,2 mil e um novo celular. Identificado como Jon Doe, o homem foi preso em setembro na Síria em um ponto de controle rebelde com a quantia de US$ 4,2 mil dólares.

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Segundo os militares, sua libertação ocorreria "sob condições seguras". Ele teria o dinheiro de volta e receberia, além do celular, alimentos. Mas o detido não quer ser solto. Sua defesa alega que isso seria uma "sentença de morte".

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU), que representa o americano, pediu a uma juíza federal em Washington para bloquear a ação, que considera "vergonhosa". A juíza distrital Tanya Chutkan agendou uma audiência sobre o caso para esta sexta-feira, 8.

Os planos para a soltura foram divulgados no depoimento de um funcionário do Departamento de Defesa (DOD). Segundo o funcionário, trata-se de uma "prática militar tradicional empregada na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA", além de ser consistente com as "obrigações militares sob a lei da guerra".

O especialista em leis de Segurança Bobby Chesney defende a posição dos militares. "O plano de libertação parece loucura à primeira vista, mas você deve ter em mente que ele foi à Síria voluntariamente". Segundo Chesney, é comum que, em locais de detenção de guerra, pessoas sejam soltas quando é seguro.

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A batalha legal sobre a libertação do homem é a reviravolta mais recente do caso. A principal discussão é se cidadãos americanos capturados em campos de batalha como suspeitos de "combate inimigo" têm o direito contestar suas detenções. Ele foi interrogado, mas autoridades americanas disseram que não tinham provas admissíveis para acusá-lo de qualquer crime. Em abril, o governo anunciou planos de transferi-lo para outro país, mesmo contra sua vontade.

No mês seguinte, o Tribunal de Apelação de D.C. confirmou a decisão anterior da juíza Tanya, impedindo sua transferência à força e sem lhe permitir contestar a detenção. Na decisão, o tribunal ressalta questões importantes levantadas pelo caso. "Não sabemos de nenhum caso, na história dos EUA, em que o governo tenha transferido à força um cidadão de um país estrangeiro para o outro."

O Pentágono afirmou que pretende libertar o homem, segundo comunicado emitido na quinta-feira, 7. "O DOD tomou todas as precauções necessárias e viáveis para garantir a libertação segura do peticionário", disse o funcionário do departamento, Mark Mitchell. Mas a ACLU argumenta que a "oferta escassa do governo para devolver seu dinheiro e dar a ele um celular não fornece nenhuma proteção contra a violência e o perigo que existem em toda a Síria". Além disso, o grupo ressalta que o prisioneiro não se opõe à sua libertação, mas sim à sua soltura em uma área perigosa.

Documentos do governo americano mostram que o homem nasceu nos EUA, mas foi criado na Arábia Saudita. Ele fez faculdade na Louisiana, é casado e tem uma filha de três anos, quem tentou registrar como americana em duas viagens aos EUA.

O detido teria dito ao FBI, segundo documentos americanos, que trabalhava para o Estado Islâmico, fazendo guarda em um campo e monitorando civis. Ele diz que é um jornalista freelancer, foi preso pelo EI e concordou em trabalhar para ganhar a liberdade. / W. POST

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