KCNA via REUTERS
KCNA via REUTERS

EUA querem Kim sem maior parte de arsenal até 2020

Criticado internamente, governo do presidente Donald Trump defende negociação com ditador da Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, tenta acalmar aliados americanos na Ásia preocupados com a interrupção dos exercícios militares com os sul-coreanos

O Estado de S.Paulo

14 Junho 2018 | 05h00

WASHINGTON  - Um dia depois do encontro histórico em Cingapura, o governo americano saiu ontem em defesa da negociação com Pyongyang que, segundo o secretário de Estado, Mike Pompeo, permitirá um “grande desarmamento” na Coreia do Norte até 2020. Donald Trump, por sua vez, tuitou que, graças a ela, a ditadura de Kim Jong-un “não representa mais uma ameaça” ao mundo.

Pompeo concedeu uma entrevista coletiva em Seul na qual afirmou que, nos próximos dois anos e meio – até o fim do primeiro mandato de Trump –, haverá um avanço significativo sobre o arsenal nuclear norte-coreano, ainda que os detalhes de como isso ocorrerá não tenham ficado claros. Mas o governo não quer ser questionado e, segundo Pompeo, as críticas sobre falhas no plano anunciado são “insultantes, ridículas e grotescas”. 

+ Mais de 70% dos americanos aprovam as conversas diretas entre Trump e Kim Jong-un

Trump e Kim tiveram um histórico encontro em Cingapura na terça-feira, o primeiro entre líderes em exercício dos dois países. O republicano afirmou que os EUA congelariam seus exercícios militares com a Coreia do Sul enquanto a Coreia do Norte negociasse a desnuclearização. 

Em uma série de tuítes que começaram a ser postados assim que o Air Force One pousou ontem em Washington, retornando de Cingapura, Trump defendeu sua proeza e provocou seu antecessor. “Antes de assumir o cargo, as pessoas estavam imaginando que iríamos à guerra com a Coreia do Norte. O presidente (Barack) Obama dizia que a Coreia do Norte era nosso maior e mais perigoso problema. Não mais – durmam bem hoje à noite”, escreveu ele, se referindo ao ex-presidente democrata, que, assim como Trump, negociou um pacto nuclear com um Estado inimigo dos EUA, o Irã, desfeito pelo atual presidente. 

De volta à capital americana, Trump terá de enfrentar o ceticismo de democratas e de colegas do próprio partido. Ainda que vários congressistas e analistas tenham aplaudido os esforços de Trump, persistiam dúvidas sobre o que realmente mudou após a cúpula. 

Os adversários democratas ponderaram que a Coreia do Norte já fez promessas parecidas no passado sobre desnuclearização, mas, ao mesmo tempo, desenvolveu armas nucleares e mísseis balísticos capazes de alcançar os EUA. “Uma viagem e a missão está cumprida, sr. Presidente? A Coreia do Norte ainda tem seus mísseis nucleares e apenas tivemos uma vaga promessa de uma futura desnuclearização de um regime que não se pode confiar”, questionou Adam Schiff, o democrata em mais alta posição na Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados. 

Trump recebeu críticas do senador republicano Lindsey Graham por dizer que os EUA economizarão “fortunas” se deixarem de fazer os exercícios de guerra na Coreia do Sul enquanto as negociações com o Norte prosseguirem. “Não é queimar o dinheiro do contribuinte americano destacar uma força para a Coreia do Sul. Isso traz estabilidade. É um alerta à China de que ela não poderá tomar toda a região”, afirmou. 

Os EUA mantêm cerca de 28,5 mil soldados na Coreia do Sul, país que está tecnicamente em estado de guerra com o Norte desde a Guerra da Coreia (1950-1953). 

Opinião pública. Aliados americanos na Ásia veem os exercícios como cruciais para a segurança na região. A ida de Pompeo a Seul logo após a cúpula teve o objetivo de aplacar as preocupações dos aliados. Ele se reuniu com o comandante das Forças Armadas EUA-Coreia do Sul, Vincent Brooks, e tinha encontros previstos com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e com o ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, que viajaria para o país vizinho. Ele planejava ainda visitar Pequim para informar ao governo chinês sobre as conversas diplomáticas.

Em Pyongyang, a imprensa estatal norte-coreana elogiou a reunião e a considerou um “sucesso estrondoso”, destacando as concessões de Trump ao regime de Kim. Segundo a KCNA, a agência oficial, o encontrou abriu a perspectiva de uma “nova era de paz e prosperidade”. 

Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center mostrou que sete em cada dez americanos aprovam o diálogo entre Trump e Kim. Apesar do apoio, muitos duvidam que o avanço nas negociações seja realmente significativo. Cerca de 50% dos entrevistados disseram acreditar que a Coreia do Norte não encara de forma séria as preocupações sobre seu programa nuclear. Além disso, 75% disseram ver o programa nuclear norte-coreano como uma ameaça grave aos EUA. / NYT, W. POST e REUTERS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.