EUA querem mais "clareza" de Morales

O governo dos Estados Unidos pediu uma maior "clareza" ao presidente Evo Morales e adiou uma reunião com autoridades bolivianas após a ameaça de expulsão de grupos americanos por parte de cocaleros de Chapare, a maior região produtora de coca no centro da Bolívia.Fontes da missão diplomática dos EUA informaram à Associated Press que a reunião bilateral com autoridades que conduzem a luta contra as drogas, que deveria ocorrer hoje, foi adiada por tempo indeterminado até que se tenha "maior clareza" sobre as decisões adotadas pelos camponeses em seu congresso, finalizado ontem.Os produtores de folha de coca exigiram que o governo dos EUA deixe de "impor" e de "condicionar" suas políticas antidrogas à Bolívia e advertiram que poderão expulsar organizações americanas caso suas demandas não sejam atendidas.Mas o próprio Morales parece ter rejeitado o pedido dos cocaleros, que ontem o reelegeram como seu líder. "É importante que tenhamos relações internacionais, todos têm o direito de estar no país respeitando a soberania e os povos. Temos de ter relações bilaterais", disse o presidente durante um discurso com a alta hierarquia militar.O assunto gerou contradições no governo. O presidente do Senado, Santos Ramírez, por exemplo, desmentiu o porta-voz presidencial, Alex Contreras, que havia declarado que "vamos dialogar com o governo dos Estados Unidos para vermos a melhor forma dessas instituições, que já cumpriram seu ciclo, saírem" de Chapare.O governo dos EUA financia grande parte dos programas de luta contra o narcotráfico e a coca ilegal, assim como os projetos para substituir essa planta por outros cultivos, mas sua política de eliminar a coca excedente vem enfrentando a resistência dos camponeses locais.

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