EUA querem que Brasil receba refugiados colombianos

O governo americano quer que o Brasil receba um número maior de refugiados colombianos como forma de ajudar a região a evitar uma desestabilização social por causa do conflito. Para isso, vai destinar um financiamento para que o governo fortaleça seu plano nacional de refugiados.A informação é da subsecretária de Estado americana, Ellen Sauerbrey, que conta que já destinou ao Brasil, Chile e Argentina US$ 600 mil para que os trabalhos sejam iniciados. O pedido americano vem no mesmo momento em que a ONU aponta a existência de uma nova rota de imigração clandestina que se fortalece entre a Colômbia e o Brasil desde o início do ano, principalmente em direção à cidade de Corumbá. Os refugiados colombianos tentam escapar do conflito que já dura 40 anos no país e que tirou 2 milhões de pessoas de suas casas. "Não podemos lidar com o problema dos refugiados colombianos sozinhos", disse a subsecretária à AE. "Estamos em um diálogo com vários governos para que também possam dar sua contribuição", afirmou. A idéia dos Estados Unidos é de que alguns países sul-americanos fortaleçam suas capacidades para receber os refugiados. Mas para isso precisam de recursos para seus planos de saúde, de segurança e de assistência aos colombianos. "Estamos muito preocupados com a situação na Colômbia. O país é nossa maior preocupação humanitária na região e, por isso, estamos pedindo que outros governos também ajudem", afirmou Ellen Sauerbrey. Em 2006, os americanos aceitaram um número de 70 mil refugiados, dos quais apenas 5 mil eram colombianos. Sauerbrey admite que número pode ser ainda menor nos próximos anos diante das novas leis antiterroristas nos Estados Unidos e que deverão qualificar certas pessoas que hoje são vistos como refugiados como tendo participado de grupos terroristas. Brasília estima que existem 3,5 mil refugiados colombianos no País. Mas desde 2004 o número de pedidos de asilo de colombianos aumentou em 300%. Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), está sendo registrado um fluxo cada vez mais intenso de refugiados desde o início do ano chegando às fronteiras do Brasil, principalmente no Mato Grosso. O problema é que a quantidade de "refugiados invisíveis" pode ser muito maior na região amazônica e que, por enquanto, estão fora do alcance e proteção do governo brasileiro. Para determinar os demais pontos de entrada de refugiados pela Amazônia e que até agora não contam com uma estrutura do governo, a ONU já prometeu que fará uma avaliação em conjunto com a Universidade Federal do Amazonas nas próximas semanas. O objetivo será o de mapear o fluxo desses refugiados.No Departamento das Américas do Acnur, em Genebra, os funcionários há meses desenham uma estratégia para que a região consiga lidar com os refugiados. No caso do Brasil, o papel que o País deve ter segundo a agência da ONU é o de ser um "fator de estabilização" no continente e, assim, evitar crises que gerem novos fluxos de refugiados nos países vizinhos. Segundo funcionários do Acnur, esses refugiados nem sempre saem da Colômbia e vão diretamente ao Brasil. "O percurso de cada um deles até chegar nas fronteiras do País pode levar meses ou até anos", afirmou um especialista.Desde a década de 90, os locais tradicionalmente usados pelos colombianos como refúgio foram o Equador e o Panamá, países onde a ONU montou verdadeiras missões para receber essas pessoas. O Brasil servia apenas como local de reassentamento para poucas famílias que não se sentiam seguras principalmente no Equador. A chegada dessas pessoas ao País, portanto, era organizada e planejada. Agora, esse fluxo de refugiados está ocorrendo de forma mais espontânea e, em alguns casos, caótica. Depois de escapar da violência na Colômbia, muitos passam pelo Equador, Peru e Bolívia. Mas fugindo também da pobreza, alguns deles chegam até a fronteira brasileira. Por enquanto, os municípios de Corumbá e Tabatinga são os preferidos para assentar esses refugiados.

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