EUA querem que Iraque seja livre e democrático, diz Biden

Vice-presidente americano faz primeira visita oficial desde formação de novo governo

AE, Agência Estado

13 de janeiro de 2011 | 15h02

BAGDÁ - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse hoje que os Estados Unidos querem que o Iraque seja um país livre e democrático. A viagem de um dia de Biden marca a primeira visita de uma autoridade norte-americana ao país desde a aprovação do novo gabinete de governo, no mês passado, que marcou o fim do impasse político criado após as inconclusivas eleições de março de 2010. No entanto, três explosões na capital, que mataram duas pessoas, demonstraram os desafios no setor de segurança que o país tem de enfrentar.

"Nós temos um grande desejo. A melhor coisa que poderia acontecer para os Estados Unidos é que vocês sejam uma democracia livre e próspera nesta parte do mundo", disse o vice-presidente antes da reunião com o presidente iraquiano Jalal Talabani.

Funcionários dos governo disseram, em condição de anonimato, que acreditam que a questão que vai dominar a agenda do encontro com Talabani, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki e o presidente curdo, Massoud Barzani, será se os Estados Unidos manterão algumas de suas forças no Iraque após o prazo final de 31 de dezembro.

Segundo um acordo de segurança entre Washington e Bagdá, todas as tropas norte-americanas devem deixar o país até o fim deste ano. Porém, o principal comandante militar do Iraque, general Babaker Shawkat Zebari, disse que os militares dos Estados Unidos devem permanecer até que as forças de segurança iraquianas consigam defender suas fronteiras, o que, segundo ele, pode demorar até 2020.

Mas al-Maliki, sob pressão dos xiitas, afirmou que quer que as tropas norte-americanas mantenham a escala de partida. Na semana passada, o influente clérigo antiamericano Muqtada al-Sadr retornou ao país após quase quatro anos de exílio no Irã e insistiu que os "ocupantes" norte-americanos devem deixar o país como programado ou enfrentar "todas as formas de resistência" de seus seguidores. Talabani enfatizou a importância que o Iraque dá a seu relacionamento com os Estados Unidos. "Continuamos gratos a vocês e sabemos que vocês são um dos nossos melhores amigos."

Tanto Washington quanto Bagdá se recusaram a discutir publicamente qualquer possibilidade de que as tropas norte-americanas permaneçam até depois que o Iraque instalar seu novo governo. Biden elogiou o Iraque pela conquista política, conseguida após meses de negociações. "Eu estou aqui para ajudar os iraquianos a celebrar o progresso que tiveram. Eles formaram um governo e isso é bom", disse Biden antes de se reunir com o embaixador norte-americano James F. Jeffrey e com o general Lloyd Austin na embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.

O governo de Barack Obama afirma que suas tropas deixarão o país na data prevista a menos que autoridades iraquianas peçam que os Estados Unidos reconsiderem o acordo de segurança e permitam que alguns militares permaneçam. As informações são da Associated Press.

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