EUA querem reabrir caso de morte de jovem negro

Após absolvição de suspeito, Secretário de Justiça fala em apuração federal sobre assassinato de Trayvon Martin

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h10

A absolvição de George Zimmerman pela Justiça da Flórida da acusação de homicídio do adolescente negro Trayvon Martin deixou o governo de Barack Obama em uma situação delicada. Pressionado pelos protestos da comunidade negra, o secretário de Justiça, Eric Holder, prometeu ontem retomar a investigação sobre o crime. Investigadores do caso e especialistas, porém, alertaram o governo sobre a inexistência de provas sobre ódio racial.

Em Washington, diante de uma fraternidade de mulheres negras graduadas em universidades, Holder afirmou que "o Departamento de Justiça compartilha" dessa desconfiança com sua plateia. "Eu também", completou o secretário. "Foi uma morte trágica e desnecessária."

O inquérito federal sobre a eventual motivação racial do crime havia sido interrompido no ano passado. Na época, o Departamento de Justiça argumentou que sua continuidade poderia atrapalhar o julgamento de Zimmerman pelo tribunal da Flórida.

Holder não prometeu montar um processo contra Zimmerman, mas o anúncio da retomada das investigações tende, de um lado, a suavizar as pressões dos lobbies negros e afastar os protestos contra a atuação da Casa Branca. De outro lado, a medida mostra ser a resposta possível do primeiro presidente negro dos EUA e de Holder, o mais poderoso negro do gabinete de Obama.

O presidente tem evitado falar diretamente sobre a decisão do tribunal. Em nota, tentou apaziguar os ânimos e pediu uma reflexão nacional - não sobre o racismo, mas sobre o porte de armas. Logo depois da morte de Martin, Obama declarou que, se tivesse um filho, seria parecido com o adolescente.

Ontem, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, limitou-se a dizer que "o mérito da questão será avaliado pelos profissionais do Departamento de Justiça". Depois de um domingo de protestos em várias cidades dos EUA, outras manifestações provocaram ontem violentos choques com a polícia e prisões em Nova York e em Los Angeles.

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