EUA querem reforçar aliança contra o terror

As reuniões anuais da Otan raramente trazem surpresas. Elas fazem pensar numa "missa cantada" com partituras já escritas pelos americanos. Mas, este ano, o encontro de cúpula de Bucareste é mais incerto. Diversos países membros gostariam que esta reunião de cúpula se interrogasse sobre a missão, a filosofia e os recursos da Otan. Os EUA querem que a Otan se transforme em função do novo ator diabólico que é o "terrorismo". Segundo um relatório, o objetivo é "confiar à aliança a luta antiterrorista nos cinco continentes". Isso supõe novas estratégias. Pode-se ter uma idéia dos projetos que estão em andamento graças a um relatório entregue à Otan em janeiro por cinco ex-chefes de Forças Armadas: um americano, um inglês, um francês, um alemão e um holandês. Esses generais propõem que, ante o perigo multiforme do terrorismo islâmico, a Otan possa lançar "ataques preventivos" para frustrar a disseminação de armas de destruição em massa. E esses generais, que garantem ter respaldo dos atuais chefes militares da Otan, oferecem a "tática apropriada". Recomendam bombas nucleares miniaturizadas.A França não tem esse tipo de bomba. Mas Nicolas Sarkozy tem outra idéia. Em março, na inauguração do submarino nuclear Le Terrible, ele propôs sua estratégia: detonar uma bomba nuclear em altitude. O que neutralizaria todas as fontes de energia no país e tornaria o inimigo "cego, surdo e mudo".Outros entendem que, em vez de imaginar guerras futuras, seria mais racional tornar mais eficiente essa ferramenta envelhecida e mal afiada que é a Otan. No Afeganistão, a força da Otan mostra a sua impotência. Essa força conta com 50 mil soldados, incapazes de erradicar o Taleban. "Procura-se reforços, desesperadamente" - isso resume a posição dos americanos. A França vai participar da "defesa do mundo livre contra o terror". Enviará mais mil soldados. Uma gota d?água. São necessários urgentemente mais 10 mil homens. A França não tem mais soldados. O chefe do Exército, general Bruno Cuche, declarou que, "se as restrições orçamentárias continuarem, a França cederá sua liderança militar européia à Grã-Bretanha".Uma outra questão está em debate em Bucareste: a Otan está ficando obesa. Seus efetivos "não operacionais" proliferam. A aliança tem 22 mil funcionários que trabalham em período integral, quase a metade do número de militares em campo no Afeganistão.*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.