EUA querem tribunais e câmara de execução em Guantánamo

As autoridades na base americana de Guantánamo planejam construir um edifício de tribunais, uma prisão e uma câmara de execução para o caso de receberem ordens de julgar e executar os suspeitos de terrorismo ali confinados, disse o comandante da missão. Embora não tenha sido emitida nenhuma ordem nem tenha sido aprovado qualquer plano, começou-se a tentar determinar os mecanismos necessários para julgar, encarcerar e, se necessário, executar os detidos acusados de terem vínculos com os talebans do Afeganistão ou com a rede terrorista Al-Qaeda. Isolada no extremo oriental de Cuba e fora da jurisdição dos tribunais civis americanos, Guantánamo é uma localidade conveniente para julgamentos militares. No mês passado, as autoridades nomearam o coronel do exército Frederic Borch III como promotor-chefe e seu par da força aérea, Will Gunn, como chefe da defesa para os julgamentos. O Pentágono elaborou uma lista de 18 crimes de guerra e outros oito delitos que podem ser julgados, entre eles atos terroristas, e emitiu normas para os tribunais. Borch disse que pretendia processar ali pelo menos uns 10 casos. Cerca de 680 supostos terroristas de 42 países se encontram detidos em Guantánamo, qualificados como combatentes sem prerrogativas constitucionais pelo governo americano, que se negou a responder às exortações de grupos pelos direitos humanos para que sejam reconhecidos como prisioneiros de guerra. Por não serem cidadãos americanos nem estarem em território dos EUA, não têm direitos constitucionais. Não foram apresentadas acusações formais nem se permitiu aos detidos ter contato com advogados.

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