EUA querem US$ 1,5 bi para combater antraz

O governo dos EUA decidiu solicitar ao Congresso US$ 1,5 bilhão para comprar mais 10 milhões de doses de drogas contra o antraz e para outras medidas contra o bioterrorismo. Tommy Thompson, secretário da Saúde e Serviços Humanos, disse no domingo que o governo quer estocar antibióticos suficientes para 12 milhões de pessoas durante 60 dias. Atualmente, o estoque é suficiente para 2 milhões de pessoas durante este mesmo período. O governo já insistiu para que seja antecipado em dois anos seu pedido de 40 milhões de doses de uma nova vacina contra a varíola e está correndo para tentar retomar a produção de uma vacina contra o antraz a fim de proteger os soldados. A produção dessa vacina foi suspensa porque o laboratório fabricante não observou as exigências de inspeções determinadas pela FDA, a agência do governo que controla os remédios e alimentos. O senador republicano Bill Frist disse domingo, em um programa de TV, que o sistema de saúde pública tem remédios e capacidade suficientes para tratar incidentes isolados, como os recentes casos de infecção com antraz na Flórida e Nova York, mas não um ataque bioterrorista em larga escala. "Se isso ocorresse no país como um todo, se um avião sobrevoasse a nação e expusesse centenas de milhares de pessoas à droga, não se poderia enfrentar isso com nosso sistema de saúde pública", disse o senador. Frist, que é médico e também um dos principais membros republicanos da subcomissão de Saúde Pública, confessou que não sabia se haveria drogas suficientes caso ocorresse esse tipo de ataque em diversos lugares ao mesmo tempo. No entanto, mais tarde, no mesmo programa, Frist disse que o atual estoque de drogas é adequado por enquanto. "Hoje, em qualquer lugar do país, podemos ter 10 milhões de doses de vacinas contra a varíola e isso é inteiramente suficiente, acredito eu, por agora", afirmou, acrescentando que dentro de um ano os EUA podem ter 40 milhões de doses. "Agora poderemos estar precisando mais do que isso, mas nosso governo está trabalhando muito, muito depressa", afirmou o senador. "O mesmo se pode dizer a respeito do estoque de antraz." A empresa farmacêutica alemã Bayer já anunciou que vai reabrir no próximo mês uma fábrica fechada na Alemanha a fim de aumentar em 25% sua produção do Cipro, único antibiótico especificamente aprovado pela FDA para tratar do antraz inalado - o tipo mais letal. Indagado sobre o plano de compras de Thompson, Robert Kloppenburg, porta-voz da subsidiária americana da Bayer, respondeu: "Pelo que sei, temos capacidade para atender a uma encomenda desse porte." As autoridades sanitárias disseram que a penicilina e outros antibióticos podem ser também usados contra o antraz e, ao que parece, parte do dinheiro pedido ao Congresso será usada para a aquisição dessas outras drogas. Não há tratamento para a varíola. Por isso, a proteção teria de vir de vacinas. No momento, o governo tem 15,4 milhões de doses da vacina, disse Thompson. Washington encomendou 40 milhões de doses de uma nova vacina produzida pela empresa britânica Acambis. As entregas deveriam começar em 2004, mas o governo insistiu para que a data seja antecipada para 2002. O governo também pensa em aumentar o pedido dessas vacinas. Não é provável que as autoridades promovam a vacinação de grande número de pessoas contra o antraz, porque a infecção pode ser tratada e também porque o estoque de vacinas é pequeno e a imunização requer seis injeções no espaço de 18 meses. A Bioport Corp., de Michigan, fabrica a vacina para o Pentágono, que pretende vacinar todos os soldados. Mas ela não conseguiu fornecer as vacinas recém-fabricadas porque não cumpriu as exigências de inspeções da FDA. Contudo, na sexta-feira, uma porta-voz da Bioport disse que a empresa terminou de apresentar à FDA os documentos necessários para uma nova inspeção. Leia o especial

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