REUTERS/Marco Bello
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EUA querem Venezuela fora de Conselho de Direitos Humanos da ONU

Embaixadora Nikki Haley critica o governo venezuelano por reprimir protestos da oposição e defendeu a realização de novas eleições para impedir que Caracas siga o caminho 'ditatorial' de Bashar Assad, na Síria

Jamil Chade / CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 10h39
Atualizado 06 de junho de 2017 | 16h52

GENEBRA - O governo de Donald Trump pediu que a Venezuela saia do Conselho de Direitos Humanos da ONU e as resoluções que condenem a gestão de Nicolás Maduro sejam aprovadas. Num discurso realizado na manhã desta terça-feira, 6, em Genebra, a embaixadora dos EUA para as Nações Unidas, Nikki Haley, atacou o presidente venezuelano e sua permanência no organismo internacional.

Em resposta, o governo da Venezuela acusou os EUA de serem "o império mais intervencionista da história" que tenta "minar a terra de Simon Bolivar". Para Caracas, a tentativa de expulsar a Venezuela do Conselho não se justifica, já que o país foi eleito para fazer parte do órgão. 

A Venezuela faz parte do Conselho e tem seu mandato no órgão, que conta com 47 países, válido até 2018. Em 2016, Maduro chegou a usar a tribuna do Conselho para defender seu país de críticas e insistir que os direitos humanos eram respeitados na Venezuela. Vários embaixadores evitaram a reunião, em protesto. O alto comissário de Direitos Humanos da ONU optou por sair em uma missão no mesmo dia da visita do líder chavista para evitar o venezuelano.

“O Conselho precisa lidar com esse problema”, defendeu Nikki. “Se a Venezuela não pode, ela deveria renunciar de forma voluntária de seu lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU até que ela coloque sua casa em ordem”, disse. 

“Ser um membro desse conselho é um privilégio e nenhum país que é um violador de direitos humanos deveria ter um assento nessa mesa”, afirmou. “É difícil aceitar o fato de que esse Conselho jamais considerou uma resolução sobre a Venezuela e, ao mesmo tempo, adotou cinco resoluções em março contra apenas um país, Israel”, disse. Para ela, se essa postura tendenciosa contra os israelenses não for tratada, o órgão não terá qualquer credibilidade.

Num primeiro gesto de pressão contra Maduro na ONU, o governo americano vai promover um evento paralelo nesta semana para que a oposição de Caracas revele as violações que estariam sofrendo. Para Nikki, a situação é de “séria violação”. 

Críticas. Nikki também criticou o governo venezuelano por reprimir protestos da oposição e defendeu a realização de novas eleições para impedir que Caracas siga o caminho "ditatorial" de Bashar Assad, na Síria. 

"É uma crise econômica, política e humanitária que pede a atenção mundial", disse Nikki. "O governo venezuelano está destruindo a democracia e os direitos humanos."

O embaixador venezuelano no Conselho de Direitos Humanos, Jorge Valero, negou as acusações e garantiu que seus cidadãos disfrutem de garantias fundamentais. "O governo americano não tem autoridade moral para se considerar juiz universal de direitos humanos", disse. 

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid al-Hussein, também criticou o governo venezuelano num discurso nesta terça-feira. Lembrando que a crise já fez mais de 60 mortos, ele pediu que Maduro aceite o pedido da ONU de enviar uma missão ao país para avaliar de forma independente a situação.  

Segundo Al-Hussein, a última vez que um relator da ONU esteve na Venezuela foi “ainda no século 20”. Contudo, o alto comissário deixou claro que a proibição da entrada de funcionários das Nações Unidas não irá frear o trabalho da entidade em denunciar violações. 

John Fisher, diretor da Human Rights Watch em Genebra, também cobrou uma solução para a situação venezuelana. “Estamos profundamente preocupados com a situação de direitos humanos no país”, disse. “A melhor forma de manter violadores de direitos humanos fora do Conselho é convencer a Assembleia-Geral da ONU a manter sua responsabilidade de apenas eleger aqueles candidatos que respeitem os mais altos padrões de direitos humanos em uma eleição concorrida”, completou. 

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