EUA queriam centro antiterrorismo na Espanha

Os EUA ficaram tão preocupados com a possibilidade de um ataque terrorista na Espanha em 2007 que propuseram a criação de um centro antiterrorismo em Barcelona, segunda maior cidade do país, naquele ano, de acordo com documentos confidenciais divulgados pelo site Wikileaks.

AE, Agência Estado

11 de dezembro de 2010 | 21h05

Três telegramas afirmam que os norte-americanos queriam montar um "centro de inteligência antiterrorismo e anticrime" no consulado de Barcelona com o objetivo de "combater o ambiente rico em alvos de terrorismo" da região, que possui "mais de 1 milhão de muçulmanos".

Em março de 2004, um total de 191 pessoas foram mortas e mais de 1.800 ficaram feridas após um ataque a bomba aos trens de Madri. Fundamentalistas islâmicos assumiram a autoria do atentado.

Um dos telegramas, com data de 2005, afirma que a "Espanha é tanto um alvo significativo de grupos terroristas islâmicos quanto um centro logístico para grupos extremistas que operam ao redor do globo". Outro, de 2007, diz que o país "é um alvo passado e atual da Al-Qaeda" e possui papel crítico nos esforços dos EUA contra o terrorismo.

O documento aponta que Barcelona possui uma grande população muçulmana "suscetível à recrutamento" e que as autoridades espanholas e norte-americanas "identificaram a Catalunha como um centro de atividade radical islâmica no Mediterrâneo". O grande número de imigrantes - tanto legais quanto ilegais - vindos do norte da África e do sudeste asiático tornou a região "um imã para recrutadores terroristas".

Os planos para a criação do centro antiterrorismo afirmam que 13 agentes seriam colocados estrategicamente para monitorar com rapidez o que e quem estava passando pela região e indo ou vindo de países como Argélia, Tunísia e Marrocos. Não fica claro se o centro chegou a ser criado e a embaixada dos EUA em Madri recusou-se a comentar o assunto. As informações são da Associated Press.

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