EUA reabrem inquérito sobre morte de 90 civis afegãos

Vídeo obtido pela ONU provaria que entre as vítimas de bombardeio americano estão mulheres e crianças

Agência Estado e Associated Press,

08 de setembro de 2008 | 10h50

O Exército dos Estados Unidos decidiu reabrir o inquérito sobre um bombardeio promovido no mês passado e no qual autoridades afegãs e investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam terem morrido 90 civis. O comando militar americano em Cabul informou que a decisão foi tomada depois do surgimento de "novas informações" sobre o episódio ocorrido em 22 de agosto.   Segundo uma investigação preliminar realizada por militares dos EUA, não mais de sete civis teriam morrido no bombardeio contra supostos seguidores da milícia fundamentalista islâmica Taleban. O Exército americano não revelou quais seriam as novas informações, mas diplomatas afegãos e ocidentais disseram que os serviços secretos do Afeganistão e os investigadores da ONU possuem filmagens do local feitas logo depois do bombardeio.   Tais filmagens mostrariam os corpos de dezenas de mulheres e crianças mortas no ataque aéreo contra Azizabad, na província de Herat, no oeste afegão. Uma comissão de inquérito afegã concluiu que 90 civis morreram no incidente, inclusive 60 crianças e 15 mulheres. A conclusão afegã foi referendada por investigadores da ONU.   Na última terça-feira, porém, militares americanos divulgaram os resultados de sua própria investigação assegurando que 42 pessoas morreram no bombardeio, sendo 35 supostos rebeldes islâmicos e não mais de sete civis. Um agente da ONU que assistiu a um dos vídeos feitos em Azizabad disse à Associated Press que a gravação mostra diversas crianças mutiladas pelo impacto das bombas. De acordo com a fonte, as imagens mostram corpos enfileirados e o teor é "altamente emocional".   Uma segunda fonte ocidental afirmou ter visto um vídeo no qual aparecem "dezenas de crianças" enfileiradas e qualificou as cenas como "repulsivas". Ambas as fontes conversaram com a AP sob a condição de que tivessem a identidade mantida sob sigilo.   Apesar de os EUA terem alegado que realizaram uma investigação completa do caso, alguns militares americanos admitiram em conversas na semana passada que sabiam da existência de evidências fotográficas, mas que não tinham conseguido acesso a elas. No domingo, o general David McKiernan - comandante das forças dos EUA em solo afegão - requisitou o envio de um general do Comando Central dos EUA ao Afeganistão para conduzir uma revisão da investigação militar.   As mortes de civis em ataques promovidos por forças dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão têm causado freqüentes atritos entre o governo do presidente Hamid Karzai e as potências ocidentais que o apóiam.

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