EUA reafirmam compromisso com transição democrática em Cuba

A proximidade de uma transição rumo à democracia em Cuba "se sente no ar" e os Estados Unidos "ajudarão" o povo cubano a "preparar a mudança", segundo disseram hoje em Miami funcionários e legisladores americanos. "Os Estados Unidos apoiarão os esforços para preparar uma transição para a democracia" em Cuba, afirmou Paula Dobriansky, subsecretária do Departamento de Estado americano, na inauguração da "Cúpula sobre a Transição para a Democracia em Cuba", realizada hoje em Miami.No fórum de um dia participaram, em diferentes sessões, legisladores americanos, especialistas e líderes políticos da América Latina, Estados Unidos e países da Europa central e do leste. Dobriansky ressaltou a importância que a experiência dos países do leste europeu oferece para a mudança em Cuba, na batalha pela liberdade e aplaudiu a criação entre estas nações do grupo denominado "Amigos de uma Cuba Democrática". É uma iniciativa que busca impulsionar mudanças democráticas em Cuba e que é promovida por Hungria, República Tcheca, Polônia, Eslováquia, Lituânia e Eslovênia.Dobriansky afirmou que este ano é o 50º aniversário da revolução húngara contra o extinto regime soviético, à qual qualificou de "manifestação popular pela democracia" que exigia a "liberdade de imprensa e a libertação dos presos políticos". "Os ventos de liberdade estão soprando (em Cuba) e o comunismo terminou", disse o governador da Flórida, Jeb Bush, e acrescentou que "ditadores como Fidel Castro" inocularam o "medo" nos cubanos e usaram a "intimidação" como arma, acabaram.Bush teve a mesma opinião que Dobriankski sobre a experiência dos países da Europa oriental, e destacou o exemplo da República Tcheca e da Hungria, que "viveram a opressão e caminharam na mesma direção rumo à liberdade que um dia Cuba empreenderá"."Longo caminho"A ministra de Relações Exteriores da Hungria, Kinga Göncz, foi prudente ao falar sobre o processo de transição em Cuba e disse que é necessário "percorrer um longo caminho". Embora existam características similares entre Cuba e a Hungria, ao mencionar a busca da liberdade, Göncz indicou que não acredita que "haja uma mudança extensa e rápida em Cuba". O fundamental, destacou a ministra húngara, é gerar "uma transição negociada e pacífica em Cuba entre membros do regime e membros da oposição".Isto não acontece sem "controvérsias", prosseguiu, lembrando que as "transições sempre trazem vencedores e perdedores". Para o senador de origem cubana Mel Martínez, se trata de "um momento crítico" na "mudança da história das relações entre os EUA e Cuba". Insistiu que os EUA não escondem suas intenções de "controlar" o processo democrático em Cuba, mas a única aspiração do Governo americano é de "ajudar os cubanos a construírem seu futuro". "Não toleraremos que nenhum outro Governo se apodere de Cuba". "Não permitiremos que nenhuma força externa", como aconteceu com os tchecos, "entre em Cuba", sentenciou."Tem que haver uma mudança completa e verificável: não se pode trocar um ditador por outro", sustentou a congressista de origem cubana Ileana Ros-Lehtinen, que afirmou que o futuro de Cuba pertence "unicamente ao povo", "livre do aparelho de Castro".Lembrou que a Comissão para a Assistência por uma Cuba Livre, criada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em 2003, "destinou mais fundos de ajuda para os presos políticos e as bibliotecas independentes".

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