EUA reagem com moderação a atentado em Karachi

O governo dos Estados Unidos condenou o ataque de hoje a seu consulado em Karachi como "deplorável" e anunciou que reavaliará o número de funcionários americanos que devem permanecer no Paquistão à luz do ataque.O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que o episódio foi "uma vívida lembrança de que somos uma nação em guerra e que os terroristas usarão quaisquer meios à sua disposição, não importa quão mesquinho, para atingir americanos e outros".A reação dos EUA foi contida e ponderada. Além de condenar o ataque, o que sugere um grau de crítica às autoridades paquistanesas, por não terem dado a proteção devida a uma representação diplomática, a administração evitou estender-se muito no exame público do que foi, claramente, um momento negativo na guerra contra o terrorismo. Perguntado, por exemplo, se Washington tinha indícios de responsabilidade da Al-Qaeda, de Osama bin Laden, no atentado, Fleischer disse que, até aquele momento, não havia ouvido "nada de definitivo sobre quem está por trás" do ataque.Washington ordenou a saída do Paquistão de muitos de seus funcionários e da totalidade de suas famílias, em março, depois de um ataque que matou uma funcionária e sua filha adolescente, em Islamabad, a capital do país. O ataque a carro-bomba de hoje matou 11 pessoas, nenhuma das quais de nacionalidade americana. Todas as vítimas eram paquistanesas. O presidente George W. Bush, que foi informado sobre o ataque a bordo do Boeing presidencial, durante uma viagem a Ohio, afirmou que os EUA enfrentam ?assassinos radicais". Segundo Bush, "eles proclamam que são pessoas religiosas, mas jogam bombas contra muçulmanos e não têm nenhum respeito à vida".O secretário de Estado, Colin Powell, telefonou para o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e prometeu-lhe ajuda no combate ao terrorismo doméstico. O fato de o atentado ter ocorrido no Paquistão, contra uma instalação dos EUA, apenas dias depois de o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o subsecretário de Estado Richard Armitage terem visitado o país e pedido a Musharraf para reprimir a infiltração de militantes islâmicos no território da Caxemira, indica que o objetivo político imediato dos responsáveis pelo ataque foi desacreditar o líder paquistanês, mostrando que ele não tem condições de impedir ações terroristas no próprio país.Este foi o terceiro ataque terrorista contra alvo estrangeiro no Paquistão depois que as tropas americanas invadiram o vizinho Afeganistão e desalojaram o Taleban e seus aliados da Al-Qaeda do poder, em represália aos ataques terroristas contra os EUA em 11 de setembro do ano passado. Em maio último, 11 engenheiros franceses foram mortos num ataque a bomba contra um ônibus em que viajam. O atentado aconteceu na porta de um hotel próximo ao consulado dos EUA.

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