Ed Jones/AFP
Ed Jones/AFP

Após homenagens pelo 11/9, Biden admite volta da Al-Qaeda e defende retirada do Afeganistão

Cerimônias ocorreram desde o começo da manhã deste sábado, 11, nos três pontos atacados pela Al-Qaeda em 2001; Kamala Harris pediu união em discurso na Pensilvânia

Redação,

11 de setembro de 2021 | 08h51
Atualizado 13 de setembro de 2021 | 14h08

Cerimônias marcaram neste sábado, 11, nos Estados Unidos, os 20 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001. O presidente Joe Biden esteve no Marco Zero de Manhattan, onde ficavam as Torres Gêmeas, e prestou homenagens a vítimas na Pensilvânia, onde caiu um dos aviões sequestrados pelos terroristas da Al-Qaeda. Ele seguiu para Shanksville, na Pensilvânia, onde um dos aviões caiu. A jornalistas presentes no evento, o presidente americano afirmou: "A Al-Qaeda poderia voltar? Sim, mas posso dizer que já voltou em outros lugares. Qual a estratégia? Devemos invadir todo lugar onde está a Al-Qaeda e deixar ali nossas tropas?"

Outras cerimônias em memória das vítimas ocorreram em Arlington, na Virgínia, não muito longe de Washington, onde o Pentágono foi atacado.

Vinte anos depois do maior ataque terrorista em solo americano, a emoção segue intensa no país que ficou em estado de choque. Na manhã daquela terça-feira, 19, terroristas, a maioria sauditas, membros da organização Al-Qaeda, sequestraram quatro aviões comerciais e lançaram as aeronaves contra as Torres Gêmeas de Nova York, o Pentágono (nas proximidades de Washington). O quarto avião, que supostamente teria o Congresso como alvo, caiu em um campo na Pensilvânia após a intervenção de seus passageiros.

Biden chegou ao lado da mulher e acompanhado dos ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton  para a cerimônia do Marco Zero. O casal presidencial segiu pouco depois para a Pensilvânia e deve ir ao Pentágono, onde também prestarão homenagens às vítimas. 

O Marco Zero de Manhattan, onde ficavam as Torres Gêmeas, se tornou um local de peregrinação e homenagem aos mortos. Os dois edifícios foram substituídos por um monumento, uma imensa fonte com formato de piscina cujas paredes funcionam como cascatas e têm os nomes gravados das 2.753 vítimas de Nova York.

A homenagem em Nova York começou com a chegada da bandeira americana, como foi feito em outros anos. Pessoas seguravam cartazes com a fotografia de algumas das vítimas do ataque ao World Trade Center. Um minuto de silêncio foi feito às 9h46 (horário de Brasília, 8h46 em Nova York), marcando o momento do impacto do primeiro avião contra a Torre Norte do complexo.

Em seguida, como ocorre todo ano, começou a leitura dos nomes das 2.977 pessoas que morreram nos ataques. Às 10h03 (9h03 em Nova York), outro minuto de silêncio foi feito para marcar o momento em que o segundo avião atingiu a Torre Sul do complexo. Em seguida, Bruce Springsteen, cantou uma música em homenagem às vítimas. 

De um lado, no museu memorial do 11/9 estão expostos um pedaço da escada por onde alguns sobreviventes conseguiram escapar, pedaços do muro dos edifícios transformados em uma massa de escombros, vigas de aço retorcidas pelo calor do fogo provocado pelo impacto dos aviões carregados de combustível, fotografias das vítimas e a reconstituição com imagens do que foi aquele dia que deixou mais de dois bilhões de pessoas no mundo grudadas diante das TVs, rádios ou telas de computadores.

Em Arlington, onde fica o Pentágono, às 10h37 (9h37, pelo horário local) mais um minuto de silêncio foi feito. Há vinte anos, neste horário, o terceiro avião se chocava, desta vez contra a sede do Departamento de Defesa americano.

O chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, Mark Milley, fez um discurso em Arlington ressaltando os valores americanos de liberdade e igualdade e como eles são alvos de terroristas. "O 11 de setembro tentou nos destruir, mas nos unimos novamente em esperança...choramos pelos que caíram e celebramos a vida deles...desde aquele dia, há 20 anos, homens e mulheres das Forças Armadas lutam para combater o terrorismo", afirmou.

Milley lembrou a retirada das tropas americanas do Afeganistão e citou os 13 militares americanos mortos em meio à retirada acelerada de Cabul, quando operações eram realizadas no aeroporto. Por volta de 10h45 (9h45 em Nova York), a comitiva do presidente Biden deixou o Marco Zero e foi para a Pensilvânia.

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A vice-presidente, Kamala Harris, está na Pensilvânia acompanhando a cerimônia no local onde um dos aviões sequestrados caiu em campo aberto após intervenção dos passageiros. Para marcar esse momento, foi feito mais um minuto de silêncio às 11h03 (10h03 no horário local). A possibilidade é que esse avião tivesse como alvo o Congresso ou mesmo a Casa Branca, símbolos do poder político dos EUA, durante os atentados de 2001. 

O ex-presidente George W. Bush - quem declarou a Guerra ao Terror após os ataques de 11 de setembro - foi para a Pensilvânia e fez um discurso. "Há 20 anos, todos descobrimos de diferentes formas que nossas vidas tinham mudado para sempre", disse o ex-presidente no começo de sua fala. "Hoje, compartilhamos essas perdas e honramos esses homens e mulheres (que morreram nos ataques)".

Bush lembrou dos bombeiros e policiais que ajudaram nos trabalhos de resgate após os ataques e os passageiros do voo 93, que conseguiram intervir na ação terrorista e evitar que o avião atingisse mais um alvo, se referindo justamente ao voo que caiu na Pensilvânia.

"Depois do 11 de setembro, milhares de americanos se alistaram para servir nas Forças Armadas e devemos honra a todos que lutaram pela nossa nação", disse o ex-presidente ao citar a retirada americana do Afeganistão. 

Após Bush, Kamala fez um discurso de homenagem às vítimas e citou o "heroísmo" dos passageiros do voo 93.

"Fomos lembrados que a unidade é possível nos EUA. É essencial para nossa Segurança Nacional e para nossa posição diante do mundo. E com unidade não quero dizer uniformidade...ao mesmo tempo, vimos depois do 11 de setembro como o medo pode ser usado para dividir nossa nação. Vimos como muçulmanos se tornaram alvos pela sua aparência", disse a vice-presidente dos EUA. 

Biden chegou à Pensilvânia acompanhado da mulher e depositou coroas de flores em homenagem às vítimas do voo 93. 

Momento político

Biden chega neste 11 de setembro enfraquecido pelo final caótico da guerra no Afeganistão, iniciada em represália justamente aos ataques executados pela Al-Qaeda há 20 anos. O presidente americano pretendia marcar simbolicamente o 20º aniversário dos ataques com a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

 

Porém, a guerra no Afeganistão terminou em meio ao caos e os Estados Unidos foram pegos de surpresa pelo rápido avanço dos taleban, com 13 militares americanos mortos em meio à retirada acelerada de Cabul, em um ataque do Estado Islâmico Khorasan. / AFP e NYT

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