EUA recebem com frieza anúncio de reeleição de Karzai

A Casa Branca recebeu com frieza o anúncio da reeleição do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, após a desistência de seu oponente. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os Estados Unidos não podem continuar com a mesma abordagem a respeito da corrupção no Afeganistão e que esperam resultados diferentes.

AE-AP, Agencia Estado

03 Novembro 2009 | 18h31

Gibbs disse que a Casa Branca continua a trabalhar com Karzai para melhorar a governança no Afeganistão, mas que o presidente dos EUA, Barack Obama, deseja uma abordagem séria para erradicar a corrupção no Afeganistão. Segundo Gibbs, os EUA não podem simplesmente esperar que a corrupção acabe no Afeganistão sem ações concretas.

Obama telefonou ontem a Karzai e o congratulou pela vitória, mas quando o presidente afegão ofereceu garantias na conversa de que lutará contra a corrupção, Obama disse a ele que "a prova não estará nas palavras, estará nas ações".

Karzai foi declarado vencedor depois de seu oponente no segundo turno, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, ter anunciado que boicotaria a votação por considerar que o processo eleitoral não transcorria de forma livre nem justa. Hoje, o presidente afegão afirmou que quer incluir em seu governo pessoas de todas as partes do país, inclusive integrantes da oposição e representantes da milícia fundamentalista islâmica Taleban que desejem colaborar com o governo.

Reformas

Karzai reconheceu hoje aos repórteres que o Afeganistão "tem um nome ruim por causa da corrupção". Ele prometeu repetidas vezes combater a corrupção durante os últimos cinco anos, mas com pouco sucesso. "Nós faremos o nosso melhor para eliminar essa mácula das nossas roupas", disse.

Ao lado do seu novo vice-presidente - o qual negou acusações de ligações com traficantes de drogas e de corrupção, quando foi ministro da Defesa no governo passado - Karzai disse que o problema da corrupção não está em certos funcionários, mas em leis inadequadas e na coação. "Nós precisamos revisar as leis onde temos problemas e fazer as reformas que são necessárias", ele disse, acrescentando que a comissão anticorrupção, criada no ano passado, precisa ser fortalecida.

O final confuso das eleições afegãs forçará os EUA e seus aliados ocidentais a ajudar o governo de Karzai a restaurar a legitimidade tanto no Afeganistão quanto no exterior. O apoio público à guerra está caindo nos EUA e nos outros países que enviaram tropas para lutar na Ásia Central. A imagem de fraude generalizada nas eleições faz pouco para reverter o cenário.

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