EUA recebem Hu e tentam equilibrar cobranças e interesses comerciais

É a oitava vez em dois anos que o presidente dos EUA, Barack Obama, se encontra com seu colega chinês, Hu Jintao. À primeira vista, Pequim e Washington não poderiam estar mais distantes. Visivelmente incomodados com a ascensão meteórica da China, que ultrapassou o Japão e já é a segunda economia do mundo, os americanos respondem como podem: criticam a desvalorização do yuan, não abandonam a ajuda militar a Taiwan, dão apoio político ao dalai-lama e condenam as violações de direitos humanos e a censura, ferramentas frequentemente utilizadas pelo Partido Comunista Chinês.

, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

No entanto, o jogo duro prometido pela Casa Branca tem um limite bem definido. Washington precisa da China para conter as ambições nucleares do Irã e controlar a rebeldia da Coreia do Norte. À luz da economia, o antagonismo entre os dois países fica ainda mais diluído. As guerras no Afeganistão e no Iraque custam por ano mais US$ 150 bilhões aos EUA, que têm um déficit orçamentário de US$ 1,5 trilhão. A China financia boa parte desse rombo, comprando títulos do Tesouro americano. Atualmente, Pequim detém mais de US$ 1 trilhão desses papéis. No encontro com Hu, Obama revelou que os chineses pagarão US$ 19 bilhões por 200 aviões da Boeing e anunciou outros contratos comerciais que ajudarão a manter 235 mil postos de trabalho em 12 Estados americanos. Apesar da retórica e do verniz de rivalidade, o interesse comercial dos dois países está fortemente ligado.

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