EUA reclamam da 'falta de esforço' do Brasil diante da Síria

Secretário-assistente de Estado compara posição do País com a da Rússia e pede mais pressão contra o regime de Assad

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h06

Os EUA não escondem sua frustração com o Brasil, comparável à decepção com a Rússia, quando o tema é a violência do regime da Síria contra dissidentes. Ontem, em entrevista coletiva, o secretário-assistente do Departamento de Estado, Mike Hammer, afirmou que Washington ainda tem esperança de obter um "maior apoio" do governo brasileiro ao plano de seis pontos apresentado por Kofi Annan, enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, que pede o cessar-fogo e tenta garantir a transição no país.

Hammer disse que a união da comunidade internacional em torno de pressões econômicas contra o governo de Bashar Assad seria a única maneira de acabar com a brutalidade e de iniciar uma transição política na Síria. Os EUA, aliados a países europeus e árabes, defendem a renúncia do presidente sírio.

"Queríamos que o Brasil apoiasse esses esforços. Também tivemos, nos últimos dias, uma frustração com a Rússia, por exemplo, que continua apoiando o governo de Assad", afirmou. "Um país do nível do Brasil pode ter bastante influência e pode fazer parte dessa pressão."

Em abril, o Departamento de Estado dos EUA esperava atrair o Brasil para seu grupo de pressão contra o governo sírio durante a visita da presidente Dilma Rousseff à Casa Branca. O Brasil, no entanto, resistiu.

Condenação. Nesta semana, estranhamente, o Itamaraty não emitiu nenhuma nota de condenação ao mais recente episódio de violência na Síria, o massacre de 108 pessoas - incluindo 49 crianças - no vilarejo de Hula. O repúdio foi apenas verbal, feito pelo chanceler Antônio Patriota.

Apesar de ter apoiado a condenação e a investigação do episódio pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, nos últimos dias, o governo brasileiro não se uniu às sanções internacionais contra o regime de Assad.

A mais recente represália foi a retirada dos embaixadores de 11 países, até mesmo os EUA, em protesto contra o massacre em Hula. O governo brasileiro manteve o seu representante, por considerar o isolamento da Síria uma iniciativa nociva à solução negociada para a crise.

Para o Departamento de Estado dos EUA, o caso sírio tomou o pior dos rumos, o da guerra civil, enquanto se esperava ações mais duras do Conselho de Segurança da ONU - vetadas sempre pela Rússia - e sanções econômicas ampliadas, evitadas pelo Brasil e outros países.

Diferenças. Ao contrário do caso líbio, de acordo com Hammer, a oposição síria mostra-se desunida e o país está completamente à mercê da ação de militantes da Al-Qaeda e de agentes do governo iraniano, que apoiam o governo de Assad em Damasco.

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