EUA recusaram proposta de Saddam para evitar a guerra

Poucos dias antes de os Estados Unidos invadirem o Iraque, um empresário dizendo falar em nome do regime de Saddam Hussein fez um último esforço para evitar a guerra, mas foi rechaçado por autoridades americanas, informou hoje o intermediário. Um influente assessor do Departamento da Defesa dos EUA recebeu uma mensagem secreta do empresário libanês-americano indicando que Saddam queria fazer um acordo. O empresário, Imad Hage, disse hoje à Associated Press que uma oportunidade de paz foi perdida. Mas oficiais da defesa e da inteligência americanos afirmaram hoje que a guerra não poderia ser evitada, que várias tentativas haviam sido feitas e que a administração Bush as via apenas como táticas protelatórias. A Casa Branca revelou hoje ter dado pouca importância à oferta. "Os Estados Unidos exauriram toda oportunidade legítima e crível para resolver (a crise) pacificamente", disse o porta-voz presidencial, Scott McClellan. "Saddam Hussein poderia ter evitado a ação militar. Ele teve várias oportunidades para fazê-lo". McClellan lembrou que foram dadas a Saddam 48 horas para deixar o Iraque e evitar o confronto. O porta-voz negou-se a informar se a oferta foi levada à consideração do presidente George W. Bush. O chefe do Serviço de Inteligência e outras autoridades iraquianas disseram ao empresário Hage que queriam que Washington soubesse que o Iraque não mais dispunha de armas de destruição em massa e ofereceram permitir que tropas e especialistas americanos fizessem uma busca independente no país. Os iraquianos também ofereceram entregar um homem acusado no envolvimento do atentado a bomba de 1993 contra o World Trade Center que estava detido em Bagdá, uma oferta que foi tornada pública em fevereiro. O Iraque garantia bem antes da guerra - e autoridades capturadas continuam afirmando - que o país não dispunha de armas proibidas. Apesar de sete meses de busca desde o fim da guerra, os EUA ainda não encontraram tais armas, a principal razão apresentada por Bush para justificar a ação militar. Hage, falando à AP em Beirute, revelou ter promovido seis encontros - cinco em Beirute e um em Bagdá - com oficiais da inteligência iraquiana três meses antes da invasão americana, em 20 de março. Para ele, os iraquianos estavam desesperadamente tentando evitar a guerra. "Definitivamente essas pessoas temiam por suas vidas e percebiam que a ameaça era real", disse Hage. "Eles acreditavam que um acordo poderia ser alcançado..." Oficiais do Departamento de Defesa confirmaram que houve os esforços, que foram divulgados pela primeira vez na noite de quarta-feira pela tevê ABC News e o jornal New York Times. No começo de março, Richard Perle, um alto assessor do Pentágono, reuniu-se com Hage em Londres, disseram os oficiais, que exigiram anonimato. Hage apresentou a proposta iraquiana e o pedido do governo de Saddam para um encontro direito com Pearl ou com outros representantes da administração Bush. A CIA autorizou o encontro de Perle com os iraquianos, mas depois disse a ele que não queria mais explorar o contato.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2003 | 17h29

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