Saul Martinez/The New York Times
Saul Martinez/The New York Times

EUA rejeitam conceder mecanismo especial de proteção contra deportação a venezuelanos 

Governo Trump diz que não autorizará TPS, que concede permissão para cidadãos de países afetados por conflitos bélicos ou desastres naturais para que vivam e trabalhem nos EUA; comunidade esperava medida em troca de apoio político

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 20h40

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos prometeu nesta terça-feira, 23, que protegerá os venezuelanos que estão no país da deportação, mas descartou a possibilidade de recorrer ao Estatuto de Proteção Temporária (TPS). Segundo especialistas, o governo republicano tem deportado milhares de venezuelanos e cubanos junto com outras nacionalidades latinas recentemente.

O TPS foi um programa criado em 1990. Por meio dele, os EUA concedem temporariamente permissão para que cidadãos de países afetados por conflitos bélicos ou desastres naturais vivam e trabalhem no território americano.

O diretor de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Mauricio Claver-Carone, afirmou que o governo americano descartou a possibilidade de incluir os venezuelanos no TPS, reiterando assim rumores que vinham dos departamentos de Estado e de Segurança Nacional.

"Estamos muito atentos à situação dos venezuelanos que estão aqui. Não buscamos deportá-los ou colocá-los em uma situação de periculosidade. Não faremos isso", disse o assessor do presidente Donald Trump.

"Quando falamos do TPS é um debate político falso. Aqui a questão é proteger os venezuelanos para que não sejam deportados e perseguidos. É isso o que buscamos e é o que faremos", ressaltou.

Claver-Carone destacou que, para a Casa Branca, a prioridade é encontrar uma solução permanente para a crise da Venezuela e afirmou que a não aplicação do TPS aos venezuelanos não diminuirá o apoio eleitoral a Trump na Flórida, apesar de várias organizações terem exigido que o governo optasse por esse caminho.

"O apoio ao presidente vai se manter porque ele foi o primeiro a colocar verdadeiramente pressão máxima sobre a ditadura de (Nicolás) Maduro)", afirmou Claver-Carone.

"Esse presidente em seis meses fez mais para apoiar o povo venezuelano a buscar liberdade e democracia que os últimos três presidentes em 20 anos. Francamente, a história o julgará como o melhor amigo do povo venezuelano", concluiu o assessor.

Na semana passada, o diretor interino do Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS), Ken Cucinelli, explicou ao Senado as razões que complicam a inclusão dos venezuelanos no TPS, o que muitos viram como uma negativa por parte do governo Trump.

O enviado especial dos EUA para a Venezuela, Elliott Abrams, foi ainda mais claro. Em entrevista à Voz da América, ele afirmou que nenhum governo concederia esse status aos venezuelanos enquanto a Justiça considerar que o benefício é "perpétuo".

No entanto, a Câmara dos Deputados deve votar hoje um projeto de lei que visa pressionar Trump a conceder o TPS aos venezuelanos que vivem irregularmente no país. / EFE

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