EUA rejeitam oferta russa de compartilhar radar no Azerbaijão

Equipamento no Azerbaijão não é alternativa para escudo antimíssil, diz Gates

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

Os Estados Unidos disseram na quinta-feira à Rússia que uma oferta do Kremlin para compartilhar um radar no Azerbaijão não substitui os planos norte-americanos de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu."Fui muito explícito na reunião (ao afirmar) que víamos o radar azeri como uma capacidade adicional e que pretendíamos prosseguir com o radar na República Checa", disse o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, após um encontro com colegas de outros países da Otan e da Rússia.Gates afastou a expectativa de uma rápida resolução para a disputa de meses com Moscou por causa do escudo.Segundo ele, dificilmente os especialistas avaliarão a proposta feita há uma semana pelo presidente Vladimir Putin a tempo do encontro dos dias 1º e 2 de julho entre Putin e o presidente dos EUA, George W. Bush.Gates afirmou que o ministro russo da Defesa, Anatoly Serdyukov, não respondeu aos seus comentários durante o encontro. Diplomatas afirmaram que antes Serdyukov havia repetido que Moscou considera sua proposta como um substituto do atual plano dos EUA.Mas Gates se disse satisfeito com a proposta-surpresa feita por Putin na semana passada durante uma cúpula do G8. "Repeti nossa disposição de trabalhar e fazer parceria com a Rússia na defesa de mísseis", afirmou.O ministro da Defesa da Espanha, José Antonio Alonso, declarou que, segundo a informação que tinha de seus assessores, "a oferta russa é interessante, mas não é tecnicamente viável nem suficiente"."A Rússia deve ter garantias de transparência", declarou o ministro espanhol, afirmando que o sistema de defesa antimísseis é "puramente defensivo" e "não vai prejudicar a Rússia".A Otan encomendou nesta quinta um estudo, que será apresentado aos ministros da Defesa em fevereiro de 2008, para determinar as implicações políticas e militares do escudo antimísseis americano sobre o sistema de defesa estudado pela Aliança.Segundo o secretário da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, a Aliança pode complementar o escudo com seu sistema de defesa contra mísseis de curto e médio alcance para proteger Bulgária, Romênia, Grécia e Turquia, que ficam fora da cobertura americana."Todos os aliados são iguais", declarou o secretário-geral antes de insistir no princípio da "indivisibilidade da segurança" dentro da Aliança e de destacar que "a Otan já tem um Mapa de Caminho claro para sua defesa antimísseis, com prazos concretos", para o qual se espera uma decisão na cúpula de Bucareste em abril de 2008.EntraveOs EUA pretendem instalar interceptadores de mísseis na Polônia e um radar na República Checa, uma configuração que Washington considera ideal para bloquear mísseis, particularmente do Irã, que estejam indo na direção dos EUA e à maior parte da Europa.A Rússia vê nesse sistema uma ameaça à sua segurança, já que ficaria às suas portas.Washington já havia dito que pretende manter reuniões entre especialistas para explorar as possibilidades na oferta russa do radar azeri, mas Gates se declarou "cético" sobre alguma conclusão antes da cúpula Bush-Putin em julho.A tensão entre Washington e Moscou alarmou os membros europeus da Otan, especialmente depois que Putin ameaçou voltar mísseis russos contra a Europa caso os EUA mantivessem seus projetos.Também havia a preocupação de que a Otan fique dividida entre países protegidos pelo escudo e os demais - Turquia, Grécia, Bulgária e Romênia, segundo especialistas, que não teriam cobertura total.Mas ministros de Defesa da Otan aceitaram analisar a construção de um outro sistema antimísseis que cobrisse tais lacunas, o que foi visto por autoridades dos EUA como uma aceitação tácita do escudo norte-americano.O estudo deve ficar pronto até fevereiro, e funcionários da Otan esperam para abril, na Romênia, um acordo para o início das obras no sistema, que teria interceptadores extras para o Sudeste Europeu."Acreditamos que as nossas preocupações foram tratadas e entendidas", disse à Reuters o ministro búlgaro da Defesa, Veselin Bliznakov.

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