EUA resgatam pilotos de F-15 na Líbia

Caça americano cai de madrugada durante missão perto da cidade de Benghazi apenas um dos dois militares a bordo ficou ferido

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

BENGHAZI, LÍBIA

Um caça F-15 da Força Aérea dos EUA caiu, "por falha mecânica", às 3 horas, perto do povoado de Bu Mariem, 30 km a leste de Benghazi, informou ontem o vice-presidente do Conselho Provisório Líbio, Abdul-Hafiz Ghoga. Os dois tripulantes foram resgatados por militares rebeldes. Apenas um deles tinha um ferimento leve na perna. Ambos foram levados para o Hotel Al-Fadeel, em Benghazi, examinados por um médico e levados embora pela Força Aérea americana.

Um comboio de veículos militares das forças leais ao ditador Muamar Kadafi estava a 35 km de Benghazi, a "capital" dos rebeldes, às 2 horas da madrugada de ontem, quando foi bombardeado por um caça americano. A informação, confirmada por Ghoga, mostra o quanto ainda falta para as forças aliadas neutralizarem a capacidade militar do regime líbio.

Ghoga não soube dar detalhes sobre a extensão do comboio nem o tipo de veículos e armamento que continha. Segundo ele, o comboio estava perto da cidade de Soluk, cerca de 40 km ao sul de Benghazi, numa estrada que corta o deserto e é ligada a Ajdabiya, cidade 160 km a oeste de Benghazi ainda com forte presença das tropas de Kadafi.

"As forças aliadas estão ao longo de toda a costa e seu sistema de reconhecimento detecta todos os movimentos", explicou o líder rebelde, à pergunta sobre como o comboio tinha sido detectado. A rede de TV Al-Jazira informou que caças ocidentais atacaram ontem um avião da Força Aérea leal ao regime que voava em direção a Benghazi.

A situação era bem mais tranquila ontem em Benghazi do que nos dias anteriores. Aparentemente os combatentes rebeldes estão conseguindo neutralizar as milícias pró-Kadafi na cidade. Mas ainda há choques esporádicos.

Pela terceira noite consecutiva, as forças aliadas bombardearam alvos militares em Trípoli e em outros pontos do país. Um dos comandantes das tropas leais a Kadafi foi morto perto da capital, informou ontem a TV Al-Jazira, que identificou o comandante como Hussein El Warfali.

Ghoga desmentiu as versões do governo, segundo as quais os bombardeios teriam matado civis. "Os ataques dos aliados são muito precisos", elogiou. "As imagens mostradas pela TV estatal são de baixas de civis causadas pelo ataque das forças de Kadafi contra Benghazi, no sábado."

Há rumores insistentes de que um dos filhos de Kadafi teria sido morto no bombardeio de seu quartel-general em Trípoli. Uma versão fala em Khamis, o comandante da principal brigada de elite do regime; outra em Saadi, ex-jogador de futebol e comandante das forças especiais. Ontem também havia rumores de que o ditador estaria em Sabha, cidade do deserto em que conta com forte apoio, a caminho do exílio no Chade ou Níger, aliados de seu regime. Mas a versão caiu por terra depois que a TV estatal transmitiu à tarde declarações de Kadafi que teriam sido feitas em Trípoli. O líder líbio prometeu continuar lutando contra os rebeldes e as forças internacionais.

Segundo Ghoga, o número de mortos na ofensiva de Kadafi contra Benghazi no sábado subiu para 120. O líder rebelde mostrou uma máscara antigás que teria sido encontrada na cabine do avião derrubado no sábado "pelo regime", segundo ele indício de que Kadafi pretenderia usar armas químicas. O piloto do avião desertou e ia atacar o comboio que se dirigia à cidade quando seu avião foi derrubado.

Ghoga disse que rebeldes avançaram ontem na estrada que liga Ajdabiya ao complexo petrolífero de Brega, 70 km a oeste. "Com isso, as tropas de Kadafi estão cercadas dos dois lados."

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