EUA retaliam inteligência colombiana

Americanos suspendem ajuda ao serviço secreto do país por escândalo de escutas ilegais; agente preso diz que palácio presidencial ordenou grampos

, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

BOGOTÁ

O governo americano suspendeu ontem toda a cooperação com a agência de inteligência da Colômbia, o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), por causa do escândalo sobre as escutas ilegais envolvendo seus agentes.

O escândalo veio à tona em 2009. Entre os grampeados estão jornalistas, juízes e políticos opositores. Alguns parlamentares tiveram as conversas gravadas no período de discussão do projeto de referendo ? mais tarde vetado pela Justiça ? que permitiria ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, concorrer ao terceiro mandato nas eleições de 30 de maio.

Segundo o embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, William Brownfield, a ajuda para o DAS será transferida para a Polícia Nacional e a Procuradoria colombianas. "Estamos transferido a colaboração que tínhamos com a DAS para outras instituições", disse Brownfield a uma rádio local.

Pelo menos sete agentes do DAS estão sendo acusados por participação no caso das escutas ilegais. Além disso, faltando apenas um mês e meio para as eleições presidenciais, o escândalo está chegando cada vez mais perto de Uribe, que sempre foi um grande aliado de Washington.

Um dos cinco agentes presos no final de semana por ter colocado as escutas disse que a operação foi dirigida da Casa de Nariño, o palácio de governo colombiano. Uribe nega a acusação e diz que ela é motivada por interesses eleitoreiros. Recentemente, ele até defendeu que a agência seja desmantelada e substituída por um novo órgão. Mas as acusações contra o presidente estão sendo investigadas pela Procuradoria do país.

Nos EUA, elas também reforçam o argumento da ala do Partido Democrata que se opõe a um Tratado de Livre Comércio (TLC)com a Colômbia por considerar que o país ainda é muito problemático ? também há escândalos relacionados a abusos das Forças Armadas e ataques a sindicalistas. O TLC era a principal promessa do governo Uribe no plano econômico, mas a vitória do democrata Barack Obama nos EUA reduziu as chances de sua aprovação.

O DAS tinha uma série de projetos de cooperação com serviços de inteligência dos EUA e Europa, além da Interpol. No passado, os agentes já foram acusados de laços com narcotraficantes. A vinculação com Uribe e a proximidade com as eleições são os fatores que complicam o atual escândalo.

CAMPANHA

O ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos é o favorito para as eleições de 30 de maio. No entanto, o candidato independente Antanas Mockus, em segundo lugar nas pesquisas, tem conseguido angariar promessas de voto rapidamente prometendo "limpar o governo". A terceira colocada é a conservadora Noemí Sanín, ex-embaixadora em Londres. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.