EUA retiram apoio de acordo sobre poder no Zimbábue

A principal diplomata norte-americana para a África disse hoje que os Estados Unidos não podem mais apoiar o acordo proposto de compartilhamento de poder no Zimbábue, que deixaria Robert Mugabe, "um homem que ficou louco", como presidente. Jendayi Frazer, secretária de Estado assistente para assuntos africanos, fez o anúncio na África do Sul, depois de passar os últimos dias explicando a líderes regionais a mudança de posição dos EUA. Isso coloca pressão sobre os vizinhos do Zimbábue - a África do Sul em particular - para que abandonem Mugabe. Mas a África do Sul anunciou que sua posição continua a mesma. Os Estados Unidos, disse Frazer, se convenceram de que Mugabe é incapaz de compartilhar poder.Frazer mencionou manobras políticas que ele realizou desde setembro sem consultar a oposição, relatos de que seu regime continua a molestar e prender ativistas da oposição e de direitos humanos, e a contínua deterioração da situação econômica e humanitária do país.A rápida disseminação de cólera, ela disse, é particularmente preocupante. Desde agosto, a doença já matou pelo menos mil pessoas no Zimbábue.Ela citou também acusações do regime de Mugabe de que o Ocidente iniciou uma guerra biológica para deflagrar a epidemia de cólera no país. Isto, ela disse, são sinais de "um homem louco, que está perdendo a cabeça, que não está mais em contato com a realidade". Se os vizinhos de Mugabe se unissem e dissessem para ele deixar o poder, disse Frazer, "eu realmente acho que ele renunciaria".No domingo, porém, a África do Sul disse que o acordo de compartilhamento de poder, segundo o qual Mugabe continuaria presidente e o líder da oposição Morgan Tsvangirai se tornaria primeiro-ministro, é a única maneira de o país seguir em frente. O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki mediou o acordo em setembro e, desde então, vem trabalhando para acabar com um impasse entre Mugabe e a oposição sobre a divisão de postos de gabinete. Inicialmente, os Estados Unidos deram seu apoio ao acordo, se oferecendo para derrubar sanções e para ajudar o Zimbábue a restabelecer relações com credores internacionais caso ele fosse implementado. "Não estamos preparados para fazer nada disso agora", disse Frazer. As informações são da Associated Press.

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