EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

EUA retiram sanções econômicas a Mianmar

Presidente Obama anuncia conclusão de aproximação durante visita de Suu Kyi

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON

14 de setembro de 2016 | 19h21

O presidente Barack Obama anunciou nesta quarta-feira, 14, a retirada de todas as sanções econômicas dos Estados Unidos contra Mianmar, concluindo o processo de normalização das relações bilaterais iniciado em 2012. A decisão foi comunicada durante visita a Washington de Aung San Suu Kyi, a ex-prisioneira política que desde abril é a chefe do governo de seu país. 

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Suu Kyi passou um total de 15 anos sob prisão domiciliar em Rangum, capital de Mianmar. Libertada em 2010, ela conduziu seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND), a uma vitória avassaladora nas eleições legislativas de novembro.

Ontem, ela celebrou o levantamento das sanções que defendeu no passado como instrumento de pressão sobre a junta militar que comandou o país de 1962 a 2011. 

“Nós acreditamos que chegou o momento de remover todas as sanções que nos prejudicam economicamente, porque nosso país está em uma posição de se abrir para aqueles interessados em fazer parte de nossas empresas”, afirmou Suu Kyi em sua primeira visita à Casa Branca desde sua posse.

O anúncio concluiu o processo de aproximação iniciado em 2012, quando Obama se tornou o primeiro presidente americano a visitar Mianmar. No ano anterior, os militares haviam começado uma série de reformas que abrangiam gradual abertura política e econômica. 

Batizado de “democracia florescente e disciplinada”, o processo foi conduzido de cima para baixo e garantiu que os militares mantivessem presença na vida política do país - a Constituição prevê que 25% das cadeiras do Parlamento devem ser ocupadas por militares. Organizações de defesa dos direitos humanos pediam a manutenção das sanções americanas como forma de pressão pela total democratização do país. 

Quando as reformas começaram, Mianmar era uma das nações mais isoladas do mundo, empurrada para a zona de influência da China em razão das sanções econômicas dos Estados Unidos, que foram relaxadas a partir de 2012.

A crescente presença econômica chinesa foi um dos fatores que levaram os militares a iniciar o processo de abertura, em uma tentativa de se aproximar dos americanos e reduzir a dependência do gigantesco país vizinho. O principal símbolo das tensões provocadas pelos investimentos chineses foi o projeto de construção de uma hidrelétrica no rio Irrawaddy, considerado o local de nascimento da civilização da Birmânia - antigo nome de Mianmar. 

Na mão contrária, a aproximação com Mianmar se encaixava na política do “pivô para a Ásia” anunciada por Obama em 2011. Em uma posição estratégica entre a China e a Índia, o país de Aung San Suu Kyi era um aliado potencial na região. 

Estímulo. A abertura também abriu oportunidades econômicas em Mianmar, um dos mais pobres países do Sudeste Asiático, que precisa de investimentos para desenvolver sua indústria de turismo e inúmeros outros setores. Até o início das reformas, era impossível usar cartões de crédito no país. 

Além de suspender as sanções, Obama anunciou que Mianmar será incluído no Sistema Geral de Preferências (SGP), que reduz tarifas de importação para os Estados Unidos de produtos de países pobres ou em desenvolvimento.

 

“Se nós combinarmos esses dois esforços, eu acredito que nós daremos aos Estados Unidos, aos nossos empresários, às nossas instituições sem fins lucrativos, um maior incentivo para investir e participar no que esperamos que será um parceiro cada vez mais democrático e próspero na região”, disse o presidente.

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