EUA retirarão até 15 mil soldados da Europa

Desmobilização faz parte de nova estratégia militar do Pentágono, que prevê deslocamento rotativo de tropas pelo mundo para diminuir gastos

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h07

O Pentágono decidiu retirar duas de suas quatro brigadas na Europa como parte do esforço para cortar US$ 487 bilhões no orçamento militar. De 10 mil a 15 mil soldados serão levados da Europa de volta aos Estados Unidos e participarão do envio rotativo de tropas para diferentes partes do mundo. A iniciativa foi recebida com preocupação pelos aliados europeus de Washington na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo o secretário de Defesa Leon Panetta a nova estratégia incluirá mais exercícios militares com países da América Latina e da África. Tratam-se de missões conduzidas, tradicionalmente, pelo Comando Sul e pelas forças especiais americanas.

O Pentágono esclareceu ao Estado que não há intenção de se enviar tropas a países do Atlântico Sul.

"Os militares americanos não estão sendo transferidos da Europa e da Ásia Central para a América Latina e a África", afirmou Tara Rigler, responsável por Operações com a Imprensa no gabinete de Panetta. "Esses exercícios de treinamento são exemplos de atividades muito antigas que nossos militares rotineiramente conduzem com os militares de nações da América Latina e da África, por convite desses países."

Em seu plano de redução dos gastos com Defesa, Panetta pretende enxugar o contingente do Exército americano de 560 mil para 490 mil militares. A redução de pessoal será acompanhada de medidas para tornar as Forças Armadas menores, mais rápidas e mais ágeis, sobretudo no Oriente Médio, na Ásia Central e no leste da Ásia, região de influência da China. A rotação de tropas deve substituir a construção e manutenção de bases.

"Se nós desenvolvermos essa presença rotativa inovadora em qualquer parte, estaremos basicamente em posição de cobrir não apenas as áreas que cativam nossa atenção (Pacífico e Oriente Médio), mas poderemos atuar no mundo todo", afirmou Panetta.

Segundo o secretário de Defesa, os EUA tentaram tranquilizar os europeus em várias conversas com autoridades da Otan e dos governos da região. A rotação de tropas americanas também ocorrerá na Europa. Panetta argumentou que os europeus "vão possivelmente ver mais militares americanos sob essa nova estratégia", pois muitas das brigadas que deveriam estar na Europa continuam atualmente combatendo no Afeganistão. "Eles terão duas brigadas e essa presença rotativa", insistiu.

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